Mediadora de resseguros Howden Re já entrou em Portugal

É a mediadora que mais cresce no seu setor a nível mundial e decidiu abrir escritório em Portugal. Filipe Duarte, ex- AON, estará à frente do negócio.

A Howden Re, braço especializado em resseguro do grupo corretor Howden, entrou diretamente em Portugal neste mês de agosto abrindo escritório de Lisboa. Estará integrado na estrutura ibérica da Howden Re e reportará a Madrid, mas esta ligação “permite-nos beneficiar da escala, experiência e recursos da operação espanhola, mantendo simultaneamente um forte foco nas necessidades específicas do mercado português”, diz Filipe Duarte que estará à frente do negócio em Portugal.

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Para Filipe Duarte, há que aproveitar a experiência espanhola mas mantendo simultaneamente “um forte foco nas necessidades específicas do mercado português”.

A Howden Re, com sede na City de Londres, tornou-se uma das principais áreas de crescimento do grupo Howden, sobretudo depois da aquisição da norte-americana TigerRisk, em janeiro de 2023. A TigerRisk foi integrada na operação de resseguro da Howden, que passou a chamar-se Howden Re em abril de 2024. Desde essa integração a operação praticamente duplicou de dimensão e, em 2025, a Howden Re já se aproximava dos 700 milhões de receitas para 18,5 mil milhões de capitais cobertos, empregando cerca de 1.100 colaboradores.

Filipe Duarte, que esteve 12 anos na AON e antes tinha estado na então Willis, hoje WTW, assumiu agora o novo cargo de líder da Howden Re em Portugal e foi entrevistado por ECOseguros.

A Howden Re entra em Portugal para captar novo negócio ou potenciar negócios existentes?

A Howden Re vai iniciar operações em Lisboa, onde atualmente não tem presença. Nesse sentido, consideramos que todo o negócio gerado será efetivamente novo. Naturalmente, procuraremos construir relações de longo prazo com os diferentes intervenientes do mercado, mas o foco inicial será desenvolver uma presença sólida e conquistar novas oportunidades.

Trabalhará mais com seguradoras ou com corretoras e MGA’s?

Tradicionalmente, o negócio de resseguro está muito ligado às seguradoras, que continuam a ser os nossos principais parceiros. No entanto, estamos também a trabalhar de forma crescente com MGA’s e outros operadores do mercado, apoiando-os no acesso a capacidade de resseguro, na definição de estratégias de colocação, na tarifação e desenvolvimento de novos produtos, bem como na realização de estudos atuariais e exercícios de modelização.

Quais são os objetivos para Lisboa?

O nosso principal objetivo passa por construir uma equipa de elevada qualidade, com profundo conhecimento técnico e forte proximidade ao mercado. Queremos crescer de forma sustentável e consistente, consolidando a nossa posição junto dos clientes e parceiros. Estamos muito otimistas relativamente ao potencial do mercado português, mas acreditamos que o crescimento deve ser feito com rigor e visão de longo prazo, sem precipitações.

O que quer trazer de novo ao mercado português?

Acreditamos que existe um espaço relevante no mercado para uma proposta de valor como a da Howden Re. A nossa ambição é combinar a capacidade, experiência internacional e acesso aos principais mercados globais de resseguro com a proximidade, flexibilidade, rapidez de decisão e conhecimento local que os clientes valorizam. Esta combinação permite-nos oferecer uma alternativa diferenciadora e altamente competitiva para o mercado português.

As recentes tempestades ajudaram a acelerar a aposta em Portugal?

O mercado segurador e ressegurador está em constante evolução. As tempestades que afetaram Portugal no início do ano vieram recordar que a exposição catastrófica do país não se limita ao risco sísmico. Estes eventos reforçaram a discussão sobre a relevância dos chamados primary e secondary perils e sobre a necessidade de adaptar continuamente as estratégias de proteção às novas realidades climáticas e aos riscos emergentes.

O Fundo de Catástrofes em preparação é interessante?

A eventual criação de um pool catastrófico poderá ter um impacto significativo na forma como determinados riscos são geridos e protegidos pelo mercado. Este novo enquadramento criará desafios, mas também oportunidades para apoiar seguradoras, entidades públicas e outros intervenientes na análise e estruturação das soluções de proteção mais adequadas. É precisamente neste contexto de mudança que acreditamos poder acrescentar valor, colocando à disposição dos nossos clientes conhecimento técnico, capacidade analítica e acesso às melhores soluções de resseguro disponíveis a nível internacional.

Quais os capitais disponíveis de resseguradoras que pretendem mobilizar?

Enquanto corretor de resseguro, o nosso papel não é disponibilizar capital próprio, mas sim proporcionar aos clientes acesso às capacidades dos principais resseguradores internacionais. Nesse sentido, conseguimos estruturar soluções adaptadas a diferentes necessidades e perfis de risco. Além disso, a experiência acumulada em áreas como tratados, facultativo, agrícola e outras linhas especializadas permite-nos atuar com confiança numa ampla variedade de setores e desafios de resseguro.

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