Musk defende centros de dados e critica regulamentação europeia em reunião do G20
Na reunião do G20 que está a decorrer nos EUA, o líder da Tesla defendeu a construção de centros de dados e criticou a regulamentação europeia.
O empresário Elon Musk defendeu esta terça-feira a construção de centros de dados e criticou a regulamentação europeia, durante uma reunião do G20, na cidade de Asheville, na Carolina do Norte, nos EUA.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
Convidado a participar na reunião do G20, Musk apelou para que se avance com cautela na regulamentação das novas tecnologias e da inteligência artificial (IA), considerando que uma abordagem semelhante à europeia seria prejudicial para a inovação, de acordo com a AFP.
O empresário defendeu também a construção de centros de dados, necessários ao desenvolvimento da IA, numa altura em que estas infraestruturas enfrentam uma oposição crescente nos Estados Unidos, ao ponto de se terem tornado um dos principais temas da campanha para as eleições intercalares. Na segunda-feira, o próprio presidente norte-americano tinha criticado duramente os opositores aos centros de dados, afirmando que estes estavam condenados a ficar “atrasados e pobres” e que estavam a favorecer a China.
O presidente da Tesla e da SpaceX participou virtualmente na reunião do G20, que conta também com a participação dos líderes da Nvidia, Jensen Huang, e da OpenAI, Sam Altman. O fundador da Meta, Mark Zuckerberg, também é esperado virtualmente. Washington espera conseguir, no final desta reunião, um texto que comprometa os participantes a não criarem uma nova autoridade reguladora da inteligência artificial.
Os chamados “Princípios da Carolina” apresentariam, segundo a Bloomberg, vários pontos: nenhuma nova autoridade reguladora, recurso aos reguladores setoriais já existentes em vez de uma lei geral sobre IA — em sentido contrário à abordagem europeia — e cooperação entre os Estados e as empresas para testar os modelos.
Durante a sua intervenção na reunião, Musk insistiu que os centros de dados são particularmente necessários para responder à “falta de capacidade” perante as necessidades da IA. Segundo o empresário, estas estruturas devem pagar a sua justa parte de impostos, mas o setor tecnológico precisa particularmente da capacidade de computação que os centros de dados disponibilizam.
Na presença dos ministros europeus dos países do G20 — Alemanha, França e Itália —, bem como da comissária europeia responsável pela Inovação, Henna Virkkunen, Elon Musk criticou as políticas europeias e o seu impacto, segundo ele negativo, na inovação. “É necessário um ambiente regulamentar relativamente livre, o que significa que as novidades devem, por defeito, ser consideradas legais, e não o contrário”, afirmou.
“Na UE, por exemplo, consideramos que o nível de regulamentação é particularmente elevado e que, por defeito, as coisas são consideradas ilegais, o que acaba por atrasar o progresso das novas tecnologias”, insistiu Elon Musk. Embora reconheça que a regulamentação europeia “não trava a inovação”, Musk afirmou que tem como efeito “abrandá-la consideravelmente”, uma opinião rejeitada por Bruxelas.
A reunião acontece seis semanas depois de a OpenAI ter revelado uma intrusão nos sistemas da plataforma Hugging Face, envolvendo agentes autónomos que estava a testar. Desde então, foram também registados incidentes semelhantes na Anthropic, na Meta e na chinesa Moonshot AI.
O caso voltou a alimentar os apelos à criação de regras para o setor. O cofundador da Microsoft, Bill Gates, pediu, a 26 de agosto, a criação de um organismo internacional de supervisão. Demis Hassabis, responsável pela DeepMind, da Google, tinha apelado, a 14 de julho, à criação, nos Estados Unidos, de uma entidade encarregada de testar os modelos mais poderosos antes de serem colocados no mercado, à semelhança da Finra, o organismo privado que supervisiona o setor financeiro de Wall Street sob supervisão federal.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Musk defende centros de dados e critica regulamentação europeia em reunião do G20
{{ noCommentsLabel }}