Novo cluster Industrial Portugal Gateway quer aproximar Portalegre da indústria de defesa ibérica
Novo cluster promovido pela Luso Defense Group quer captar empresas, investimento e emprego qualificado para Portalegre e aproximar a região das cadeias ibéricas de defesa e tecnologia.
O Industrial Portugal Gateway (IPG), um novo cluster ibérico promovido pela Luso Defense Group, quer captar investimento produtivo, tecnologia e emprego qualificado para Portalegre, aproximando empresas nacionais e internacionais da indústria de defesa, segurança e tecnologia. O projeto será apresentado publicamente a 25 de setembro, juntamente com a apresentação da Iberian Defense Expo, uma nova feira internacional dedicada à defesa, segurança e tecnologias dual use.
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“Não queremos apenas atrair uma unidade industrial isolada. A nossa ambição é desenvolver um ecossistema capaz de acolher vários projetos, integrar empresas já existentes na região em novas cadeias de fornecimento, promover formação e qualificação profissional e criar ligações entre indústria, instituições, centros de conhecimento e parceiros tecnológicos”, explica Mafalda Colaço Marques, CEO da Luso Defense Group e elemento da equipa do IPG, ao ECO/eRadar.
“O objetivo é trazer para Portalegre investimento produtivo, capacidade industrial, tecnologia e emprego qualificado, criando condições para que empresas nacionais e internacionais possam instalar, expandir ou desenvolver operações ligadas à Defesa, Segurança, tecnologias de dupla utilização, produção avançada e outras indústrias estratégicas”, acrescenta.
Portalegre será o primeiro território de implantação e a Associação Empresarial da Região de Portalegre (NERPOR) funcionará como parceiro territorial e base operacional do cluster. “A partir daqui, queremos construir uma ligação efetiva entre a região, o mercado nacional, a Extremadura e outros mercados internacionais“, vinca Mafalda Marques.
Não queremos apenas atrair uma unidade industrial isolada. A nossa ambição é desenvolver um ecossistema capaz de acolher vários projetos, integrar empresas já existentes na região em novas cadeias de fornecimento, promover formação e qualificação profissional e criar ligações entre indústria, instituições, centros de conhecimento e parceiros tecnológicos.
O objetivo é trazer para Portalegre investimento produtivo, capacidade industrial, tecnologia e emprego qualificado.
A responsável revela que existem já contactos e conversações com empresas nacionais e internacionais interessadas em conhecer o modelo do cluster e avaliar Portugal como possível localização para novas operações.
“Existem contactos e conversações em curso com empresas nacionais e internacionais interessadas em conhecer o modelo do IPG e avaliar Portugal como possível localização para novas operações industriais. O pipeline inclui empresas provenientes de mercados europeus e extraeuropeus, com atividade em diferentes áreas tecnológicas e industriais“, esclarece a CEO da Luso Defense Group ao ECO/eRadar, sem referir quais as empresas em questão.
As conversações estão em “fases distintas”. Mafalda Marques adianta que há empresas ainda “numa fase de conhecimento do território e do modelo de acompanhamento do IPG”, enquanto noutros casos já existe troca de informação e análise de possíveis operações de “integração, produção, expansão industrial ou parcerias com entidades portuguesas”.
“Primeiro avaliamos a empresa, o projeto, os direitos tecnológicos, a capacidade de investimento e os requisitos operacionais; depois analisamos localização, licenciamento, financiamento, parceiros e sequência de implementação. Só após essa avaliação faz sentido comunicar publicamente um projeto”, sublinha.

“Resolver um problema muito concreto”
O Industrial Portugal Gateway visa funcionar como uma espécie de ponto único de coordenação para empresas que decidam investir em Portugal, concentrando num mesmo circuito áreas que, atualmente, estão dispersas por diferentes interlocutores.
“O IPG pretende também resolver um problema muito concreto: uma empresa que queira investir em Portugal encontra frequentemente processos fragmentados e interlocutores diferentes para cada etapa”, explica a CEO da Luso Defense Group.
O modelo também prevê acompanhamento desde a avaliação inicial do projeto e escolha da localização até ao licenciamento, engenharia, construção, financiamento, recrutamento, formação, identificação de fornecedores e articulação institucional.
O IPG pretende também resolver um problema muito concreto: uma empresa que queira investir em Portugal encontra frequentemente processos fragmentados e interlocutores diferentes para cada etapa.
A lógica é aplicar este modelo não apenas à captação de grandes fabricantes de Defesa, mas também a PME, startups, scaleups, fornecedores de componentes e empresas tecnológicas. Na lista de áreas de interesse estão “sistemas não tripulados, robótica, inteligência artificial, comunicações, cibersegurança, proteção civil, tecnologias de vigilância e monitorização, mobilidade, engenharia, componentes industriais e outras soluções com aplicação civil e de defesa”, refere a IPG em comunicado.
“Estão todas no nosso radar, porque um cluster industrial sólido não se constrói apenas com grandes fabricantes nem apenas com pequenas empresas”, afirma a responsável ao ECO/eRadar. “O critério principal não é a dimensão da empresa. É a qualidade do projeto, a capacidade tecnológica e financeira, o potencial de criação de valor, a adequação às necessidades industriais e a possibilidade de desenvolver uma operação sustentável em Portugal.”
Portalegre como porta de entrada para Espanha
Portalegre será o primeiro território de implantação do IPG em conjunto com a Associação Empresarial da Região de Portalegre (NERPOR). A intenção é que o cluster tenha desde o início uma vocação ibérica.
“A região tem disponibilidade territorial, capacidade de expansão, proximidade à fronteira espanhola e uma posição particularmente interessante na ligação a Badajoz e à Extremadura. Esta proximidade permite pensar o projeto numa lógica verdadeiramente ibérica, aproximando empresas, fornecedores, instituições e cadeias industriais dos dois lados da fronteira”, diz Mafalda Marques, elemento da equipa do Industrial Portugal Gateway, ao ECO/eRadar.
“Portalegre apresenta menor pressão sobre o território e sobre os custos de instalação do que as principais áreas metropolitanas, ao mesmo tempo que permite uma relação mais próxima e coordenada com municípios, associações empresariais e entidades regionais. Para um investidor, não basta existir terreno ou um edifício disponível: é necessário existir capacidade para acompanhar o projeto, resolver dependências e coordenar os vários intervenientes“, salienta a responsável.
O IPG pretende ainda trabalhar com os 15 municípios da região, a Comunidade Intermunicipal do Alto Alentejo (CIMAA), a CCDR Alentejo, empresas locais e outras entidades do ecossistema regional.
O impacto do IPG também não deve ser medido apenas pelo investimento direto ou pelo número de fábricas. Deve incluir emprego direto e indireto, contratos atribuídos a fornecedores portugueses, formação, transferência de conhecimento, integração de empresas locais em novas cadeias de valor e capacidade de atrair projetos adicionais para a região.
Tiago Braga, presidente da NERPOR, defende precisamente esta ligação ao território. “Portalegre tem condições para receber investimento industrial, mas tem de se apresentar de forma organizada e com capacidade para acompanhar as empresas desde o primeiro contacto. A NERPOR participa neste projeto para ligar o IPG ao território e para garantir que a chegada de novas unidades industriais também cria oportunidades para as empresas que já estão instaladas na região”, afirma, citado em comunicado.
A prioridade, neste momento, passa por construir um pipeline de projetos com viabilidade técnica, financeira e operacional e divulgar números apenas quando os investimentos estiverem suficientemente maduros, com localização, calendário e modelo de operação definidos.
Mafalda Colaço Marques sublinha, porém, que o impacto pretendido vai além do investimento direto. “O impacto do IPG também não deve ser medido apenas pelo investimento direto ou pelo número de fábricas. Deve incluir emprego direto e indireto, contratos atribuídos a fornecedores portugueses, formação, transferência de conhecimento, integração de empresas locais em novas cadeias de valor e capacidade de atrair projetos adicionais para a região”, frisa a CEO do Luso Defense Group, ao ECO/eRadar.

“Uma ponte” para empresas portuguesas
Uma das apostas do cluster é precisamente fazer a ligação entre os investidores estrangeiros e o tecido empresarial português. “O IPG pode funcionar como uma ponte operacional entre aquilo de que uma empresa estrangeira necessita e aquilo que o tecido empresarial português pode fornecer”, explica Mafalda.
A intervenção poderá passar pela identificação de fornecedores de componentes, empresas de engenharia e construção, integradores tecnológicos, operadores logísticos, universidades, centros de investigação, entidades de formação, consultores ou parceiros financeiros.
“Para as empresas portuguesas, isto pode representar acesso a novos clientes, contratos, consórcios, processos de qualificação, transferência tecnológica e participação em cadeias de fornecimento internacionais. Para o investidor estrangeiro, significa reduzir o tempo necessário para compreender o mercado, identificar parceiros credíveis e estruturar a operação”, assinala Mafalda Colaço Marques, CEO da Luso Defense Group e elemento da equipa do IPG, ao ECO/eRadar.
“O valor do IPG está precisamente nessa coordenação: transformar uma rede dispersa de entidades num percurso organizado e orientado para a execução, mantendo sempre uma separação clara entre o papel de coordenação do IPG, o trabalho técnico dos parceiros e as competências próprias das entidades públicas”, remata.
Iberian Defense Expo chega em 2027
O lançamento do cluster, a 25 de setembro, ficará também marcado pela apresentação da Iberian Defense Expo (IDE), uma nova feira internacional de defesa, segurança, tecnologias de dupla utilização e indústria estratégica.
“O modelo combina exposição empresarial e tecnológica, conferências, reuniões B2B e B2G, delegações oficiais, demonstrações, inovação, investidores e oportunidades de cooperação industrial. O objetivo não é criar apenas mais uma feira, mas um ponto de encontro profissional com utilidade concreta para empresas, instituições e decisores”, afirma Mafalda.
A apresentação de 25 de setembro será importante para dar a conhecer publicamente o conceito, o posicionamento e as formas de participação.
O objetivo não é criar apenas mais uma feira, mas um ponto de encontro profissional com utilidade concreta para empresas, instituições e decisores.
A organização está já a desenvolver contactos com empresas, associações setoriais, entidades institucionais, embaixadas e organizações internacionais. “Estamos também a trabalhar no modelo de participação, programa, áreas temáticas, expositores, patrocinadores, delegações e estrutura operacional do evento”, vinca a responsável ao ECO/eRadar.
“A apresentação de 25 de setembro será importante para dar a conhecer publicamente o conceito, o posicionamento e as formas de participação, iniciando uma nova fase de contacto estruturado com potenciais expositores, parceiros e entidades institucionais”, sublinha a CEO da Luso Defense Group.
Apesar de serem “iniciativas distintas”, a IDE e o IPG partilham a mesma lógica de reforço da ligação industrial entre Portugal e Espanha.
“O IPG apoia empresas que pretendam instalar ou desenvolver capacidade industrial em Portugal. A IDE cria visibilidade, contactos comerciais, cooperação institucional e acesso a parceiros e mercados internacionais. Em conjunto, podem reforçar o posicionamento de Portugal e da Península Ibérica no ecossistema industrial da defesa, segurança e tecnologias de dupla utilização”, explica Mafalda.
O lançamento público do Industrial Portugal Gateway está marcado para 25 de setembro, nas instalações da NERPOR, em Portalegre, estando sujeita à capacidade do espaço, Visa reunir empresas, municípios, associações empresariais, representantes da defesa, academia, investidores e entidades portuguesas e espanholas.
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