Portugal é dos países menos afetados na Zona Euro pela subida do custo da dívida, garante DBRS
Outrora párias do bloco devido aos riscos que as dívidas soberanas representavam para o euro, Portugal, Grécia e Espanha são hoje dos países menos expostos à subida dos juros, garante a agência.
- Portugal, Grécia e Espanha destacam-se como os países da Zona Euro menos afetados pelo aumento das taxas de juro, segundo a DBRS.
- A análise da DBRS revela que, apesar do aumento global dos custos de financiamento, estes três países beneficiam de um crescimento económico robusto e de contas orçamentais sólidas.
- A previsão é que, entre 2025 e 2030, os encargos com juros em Portugal, Grécia e Espanha aumentem apenas modestamente, devido a excedentes primários e crescimento económico.
Num contexto de subidas de taxas de juro das dívida soberanas a nível global nos últimos anos, Portugal, Grécia e Espanha são os países da Zona Euro menos afetados pela aumento do custo do financiamento, protegidos por dinâmicas positivas no crescimento económico, no endividamento e nas contas orçamentais, afirmou esta terça-feira a agência de notação DBRS.
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“As taxas de rendibilidade das obrigações soberanas a nível mundial têm aumentado significativamente nos últimos anos, devido ao aumento das necessidades de financiamento público, ao aperto quantitativo e aos prémios de risco mais elevados”, referiu a agência, num dia em que os mercados obrigacionistas globais voltam a ser sacudidos por uma forte pressão vendedora com os investidores preocupados com uma escalada da inflação.
“A Grécia, a Espanha e Portugal são os países menos afetados na nossa análise, uma vez que o impacto negativo dos custos de financiamento mais elevados é, em grande medida, compensado por uma dinâmica da dívida favorável, apoiada por uma evolução económica e orçamental sólida”, salientou a agência canadiana num relatório.
Recordou que os custos de financiamento dos governos da Zona Euro aumentaram significativamente. Após um período de vários anos de taxas de juro ultrabaixas, as taxas de rendibilidade das obrigações do Estado subiram acentuadamente em 2022, na sequência do choque inflacionista e do consequente aperto da política monetária (Figura 1). Desde então, as taxas de rendibilidade nominais das obrigações do Estado na maioria dos países da Zona Euro continuaram a aumentar — apesar da diminuição das pressões inflacionistas — e situam-se agora, em geral, nos níveis observados no início da década de 2010.
“Embora a subida inicial das yields em 2022 tenha sido em grande parte impulsionada pelo choque inflacionista, a persistência das taxas de rendibilidade das obrigações a níveis mais elevados nos anos subsequentes parece refletir outros fatores, de natureza mais estrutural, uma vez que as taxas de rendibilidade das obrigações do Estado indexadas à inflação registaram um aumento semelhante ao das taxas nominais”, adiantou. “Além disso, as expectativas de inflação a médio prazo, que constituem um fator mais relevante para as taxas de juro das obrigações de longo prazo do que a evolução da inflação a curto prazo, aumentaram apenas moderadamente nos últimos anos”.
“Variação muito menos pronunciada”
A DBRS realizou uma análise de cenários sobre o impacto de custos de financiamento mais elevados durante mais tempo nos encargos com juros e no rácio da dívida de nove dos principais países da Zona Euro (Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Grécia, Itália, Países Baixos, Portugal, Espanha). “O nosso pressuposto principal é que as taxas de juro se mantenham nos níveis atuais ao longo do resto da década e que os custos de financiamento nos próximos anos sejam iguais ao rendimento médio das obrigações do Estado a 10 anos durante os primeiros sete meses de 2026”, explicou.
A repercussão das taxas mais elevadas nas despesas com juros deverá ocorrer de forma gradual, uma vez que os governos refinanciam anualmente apenas uma fração da dívida às taxas atuais, enquanto o custo dos juros do restante da dívida é determinado pela taxa de juro implícita do ano anterior, adiantou.
“As nossas projeções mostram que os custos de financiamento mais elevados tendem a aumentar as despesas com juros, mas o impacto global varia significativamente entre os países da Zona Euro“, sublinhou a agência, que prevê que os encargos com juros da maioria dos Estados , embora não de todos, aumentem entre 2025 e 2030.
“Ao mesmo tempo, a evolução futura dos encargos com juros revela uma heterogeneidade substancial entre países”, vincou .”Enquanto se prevê que as despesas com juros do setor público em França e na Bélgica aumentem 0,9 e 0,6 pontos percentuais (pp) do PIB entre 2025 e 2030, respetivamente, a magnitude da variação é muito menos pronunciada em Espanha (+0,1 pp), Portugal (+0,1 pp) e Grécia (-0,2 pp).
Embora os três países tenham um elevado peso da dívida pública e enfrentem custos de financiamento crescentes, prevê-se que o impacto das taxas mais elevadas sobre os encargos futuros com juros seja bastante modesto, com base na expectativa de que um forte crescimento económico e excedentes primários contribuam para uma diminuição contínua dos seus rácios da dívida pública em relação ao PIB entre 2025 e 2030
Para a DBRS, embora a dimensão da dívida pública atual seja um fator determinante importante, o impacto global do aumento dos custos de financiamento depende, de forma crucial, das perspetivas económicas e orçamentais.
“Isto é particularmente evidente no caso de Espanha, Portugal e Grécia. Embora os três países tenham um elevado peso da dívida pública e enfrentem custos de financiamento crescentes, prevê-se que o impacto das taxas mais elevadas sobre os encargos futuros com juros seja bastante modesto, com base na expectativa de que um forte crescimento económico e excedentes primários contribuam para uma diminuição contínua dos seus rácios da dívida pública em relação ao PIB entre 2025 e 2030″, referiu a agência.
Esta diminuição projetada, por sua vez, reduz o stock de dívida que, eventualmente, terá de ser refinanciado a taxas mais elevadas nos três países.
“A dinâmica da dívida pública em Espanha, Portugal e Grécia beneficia de diferenciais mais favoráveis entre as taxas de juro e o crescimento, devido às perspetivas de crescimento económico comparativamente fortes nos próximos anos“, frisou a DBRS, recordando que o FMI prevê que o crescimento nominal anual do PIB nestes três países atinja uma média de 4,4% entre 2026 e 2030, enquanto a taxa média de crescimento para os outros seis países se situa apenas nos 3,1%.
“Além disso, prevê-se que os três países registem excedentes primários ao longo do período de 2026 a 2030, o que reduz as suas necessidades futuras de financiamento. Em contrapartida, com exceção da Itália, prevê-se que todos os outros países da nossa amostra registem défices primários persistentes nos próximos anos”, conclui.
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