Portuguesa Bhout ganha contrato de um milhão de euros no Chile

Empresa de tecnologia aplicada ao fitness, que tem clubes com sacos de boxe inteligentes, está a expandir a operação para a América Latina, após avançar com uma reestruturação em Portugal.

A empresa portuguesa Bhout, que criou um saco de boxe inteligente, está a expandir a operação para a América Latina, depois de avançar com uma reestruturação em Portugal, que envolveu o corte de vários postos de trabalho. A startup de tecnologia aplicada ao fitness assinou uma parceria estratégica com a rede de ginásios chilena Neo para acelerar a estratégia empresarial (B2B) internacional.

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O acordo estabelece um compromisso de equipar, no mínimo, 25 health clubs da rede de ginásios chilena Neo, com cerca de 100 sacos da marca nacional, sendo complementado por receitas recorrentes provenientes da plataforma tecnológica e dos serviços digitais da Bhout. O objetivo, além da internacionalização, é iniciar um novo canal global de distribuição para cadeias de clubes de saúde.

“Esta parceria representa muito mais do que a entrada num novo mercado. É a validação de um novo modelo de distribuição para a Bhout e demonstra que a nossa tecnologia pode ser integrada em grandes cadeias de health clubs”, afirma o fundador e CEO, Mauro Frota, adiantando que “o contrato é de um milhão de euros, no mínimo”.

A Neo nasceu no Chile, onde tem três clubes e prevê abrir mais sete até ao final deste ano, mas também opera na Argentina e no México. A partir de agora, contará com os Bhout Bag, que são sacos de boxe com tecnologia incorporada, suportados por uma plataforma própria que combina hardware, sensores de elevada precisão, visão computacional, inteligência artificial, um Physical Intelligence Engine (motor proprietário que transforma o movimento humano em dados acionáveis em tempo real) e gamificação. Além da funcionalidade desportiva, permitem fazer avaliação de treinos de boxe, kickboxing e Muay Thai em tempo real.

“A avaliação técnica é realizada pelo AI Coach, que compara cada movimento executado pelo praticante, em menos de 300 milissegundos, com um avatar biomecânico desenvolvido e treinado a partir de milhares de movimentos executados por atletas de calibre mundial”, destaca a Bhout sobre o produto que vai começar a comercializar na América Latina.

Fundada em 2019, a Bhout captou cerca de 15 milhões de euros de investimento no total. No entanto, está a atravessar um processo de reestruturação para “limpar a tesouraria” e ficar com fluxo de caixa (cash flow) positivo. O plano envolve o corte de um “número significativo” de postos de trabalho nos escritórios, especialmente funções que estão a ser substituídas por inteligência artificial, como avançou o ECO.

Após vários trabalhadores receberem a informação da rescisão contratual, Mauro Frota esclareceu que a reforma do negócio se tornou necessária após um período de contratações para desenvolvimento de produto, que ficou concluído e deixou de precisar de mão-de-obra. “Precisávamos de investir no desenvolvimento e agora a fábrica ficou montada e o produto encontra-se maduro. Então, libertámos parte da equipa para nos focarmos noutras áreas, ter cash flow positivo e atrair novos investimentos. Fomos obrigados a libertar pessoas que nos eram particularmente próximas”, afirmou o empreendedor.

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