Ministra admite “grande pressão” nas urgências de Lisboa e Vale do Tejo nas próximas semanas

  • Lusa
  • 1 Setembro 2026

Número de enfermeiros necessários para as unidades locais de saúde (ULS) são cerca de 850, calculou ainda Ana Paula Martins, adiantando estar prevista a ampliação dos horários destes profissionais.

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A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, admitiu esta terça-feira que as próximas semanas vão ser de grande pressão nas urgências de Lisboa e Vale do Tejo, sobretudo no Hospital de Amadora-Sintra.

“Eu diria que as próximas semanas vão ser semanas de grande pressão em Lisboa e Vale do Tejo, mas, essencialmente, no Hospital de Amadora-Sintra”, afirmou Ana Paula Martins, em Porto de Mós, distrito de Leiria, onde esteve na inauguração dos trabalhos de remodelação do centro de saúde local.

Confrontada com os tempos de espera elevados nas urgências na região de Lisboa, que reconheceu serem “um bocadinho mais elevados” e, às vezes, “significativamente mais elevados que no resto do país”, Ana Paula Martins declarou, referindo-se ao Hospital de Amadora-Sintra, que nas próximas semanas esta situação pode ocorrer várias vezes.

Segundo a governante, há várias razões para esta situação se repetir, sendo que a primeira se prende com o facto de existir “uma pressão assistencial enorme, é talvez das zonas do país, se não a zona do país com maior pressão assistência”.

“Temos mais de 240 mil pessoas ali só nestes concelhos sem médico de família e isso causa uma pressão assistencial sobre as urgências muito grande”, reconheceu, assumindo, igualmente, “uma situação também de falta de recursos humanos naquela ULS [Unidade Local de Saúde] especificamente, muita falta de enfermeiros, muita falta de médicos também, concretamente na urgência”.

Segundo a ministra, houve “várias mudanças” e “isso criou instabilidade na equipa de urgência”. “Estamos a fazer tudo aquilo que nos compete enquanto Governo a procurar conseguir trazer de novo profissionais para uma urgência” que classificou como a “mais sobrecarregada do país”.

Por outro lado, apontou o número de situações de “alta prolongada”. “Não são só casos sociais, são mesmo casos à espera de irem para a Rede Nacional de Cuidados Continuados. Também ali se fazem sentir com maior significado”, sustentou.

Ana Paula Martins adiantou que segunda-feira é “sempre um dia muito difícil na urgência no país inteiro, ali particularmente”.

“Também [é] um momento de regresso de férias das famílias que, obviamente, regressando à sua vida quotidiana, naturalmente acabam por ter também algumas necessidades de saúde que decorrem deste período de férias e que têm que ser tratadas e atendidas no seu hospital de origem e nos cuidados de saúde primários”, acrescentou.

Faltam cerca de 850 enfermeiros nas unidades locais de saúde

O número de enfermeiros necessários para as unidades locais de saúde (ULS) são cerca de 850, disse esta terça-feira a ministra da Saúde, adiantando estar prevista ampliação dos horários destes profissionais.

“O número de enfermeiros que nos foi transmitido como sendo necessários para suprir as necessidades neste momento são à volta dos 850, 870 enfermeiros“, afirmou Ana Paula Martins. Segundo a governante, “as necessidades, cerca de dois terços”, estão concentradas na Região de Lisboa e Vale do Tejo.

“O que eu queria dizer também é que, mais uma vez, não é só através da contratação, a contratação é uma parte importante, mas é também através da ampliação de horários“, referiu.

Na segunda-feira, a Ordem dos Enfermeiros pediu a intervenção urgente da ministra da Saúde no processo de autorização às ULS para contratação, porque o país está a desperdiçar mais de três mil novos profissionais.

Em causa estão os planos de desenvolvimento organizacional de 2026, que definem os recursos humanos que as ULS e os hospitais oncológicos podem dispor e que este ano não foram aprovados ainda quando, segundo a Ordem, há já três mil enfermeiros disponíveis, como noticiou o jornal Público.

Ana Paula Martins salientou hoje que “estes três mil enfermeiros”, que “estão agora a acabar as escolas de enfermagem, têm, além do Serviço Nacional de Saúde (SNS), também outras áreas de atração”.

“Estes três mil enfermeiros, para a necessidade de horas de enfermagem que nós temos, quer no Serviço Nacional de Saúde, quer também no setor privado e no setor social, ficam mais do que esgotados”, adiantou.

Admitindo que, nesta fase do ano, gostaria de estar “já com uma capacidade de contratação diferente”, a ministra disse esperar que, neste segundo semestre, se consiga “colmatar estas necessidades e a bolsa de enfermagem fique com mais capacidade para a contratação, que esse também é um problema muitas vezes”.

Questionada sobre quantos enfermeiros a tutela está disponível para autorizar a contratação pelas ULS, Ana Paula Martins recusou-se a dar o número, que “será divulgado a seu tempo, mas apenas por uma razão”, porque depende do ajustamento ao quadro global de referência do SNS.

“Mas eu diria que não ficaremos longe [dos cerca de 850]” através de “novos enfermeiros e horas de enfermagem, que é muito importante também“, frisou.

A governante adiantou que “entre 2024 e 2025″ foi aumentado “em mais de 1.500 enfermeiros o número destes profissionais a trabalhar” no SNS, para reconhecer que este ano “as ULS têm tido dificuldades na contratação” dada a necessidade de ajustar o quadro global de referência do SNS, que tem os indicadores sobretudo de natureza assistencial e económico-financeiros.

Este ajustamento deveu-se à “dinâmica de inscrições no SNS”, que obriga a uma ampliação da capacidade de resposta, declarou, precisando que este quadro global de referência para 2026, que tem de “ser agora publicado”, prevê acomodar contratações no segundo semestre.

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