Ventura adia decisão sobre moção de censura. PS diz que caso Neves “degrada autoridade” do Estado
“Ainda não tomámos nenhuma decisão sobre isso”, referiu o líder do Chega, que tinha prometido apresentar a moção de censura esta terça-feira caso Montenegro não demitisse o ministro.
O líder do Chega decidiu adiar por um dia a decisão final sobre uma moção de censura ao Governo, na sequência do caso que envolve o ministro da Administração Interna, que na semana passada tinha prometido apresentar esta terça-feira caso Luís Montenegro não demitisse Luís Neves.
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Em declarações à RTP proferidas na Assembleia da República, André Ventura, que reuniu esta tarde a direção nacional e a bancada parlamentar do Chega para deliberar sobre o tema, disse que o partido “ainda não [tomou] nenhuma decisão sobre isso”.
Criticando a “arrogância” de Luís Neves, depois de numa publicação na rede social X ter classificado o mais recente discurso do ministro como “impressionante, inenarrável, inqualificável”, Ventura confirmou ter falado com o Presidente da República, mas recusou divulgar o que lhe terá sido dito por António José Seguro.
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Esta manhã, numa conferência de imprensa realizada na ilha da Madeira, o antigo diretor nacional da Polícia Judiciária recusou as acusações de que tem sido alvo, classificando-as de mentiras, e garantiu que vai cumprir o mandato até ao fim. “Podem continuar a gritar, vou continuar a governar”, afirmou.
Já em Maputo, à margem de um jantar com empresários portugueses e moçambicanos, o secretário-geral do PS notou que o caso em torno de Luís Neves está a “degradar a autoridade política” do Estado e que o primeiro-ministro não deve dar “razões” para permitir os “efeitos pirotécnicos” do Chega.
“Sabemos também que há um partido que utiliza, usa e abusa dos efeitos, digamos, pirotécnicos, para criar factos e para destabilizar as instituições políticas e democráticas. Mas se é verdade isso, nós não podemos dar-lhe razões para que isso possa acontecer. E, portanto, o primeiro-ministro tem uma responsabilidade que é só dele, só ele a pode exercer”, acrescentou.
Por isso, insistiu José Luís Carneiro, “não pode o primeiro-ministro também ficar ele próprio fragilizado na sua autoridade política” neste processo, mesmo depois das garantias deixadas esta terça-feira pelo ministro da Administração Interna.

“Tudo o que se tem vindo a passar contribui também para a fragilidade política da autoridade do primeiro-ministro, porque o que está aqui em causa é um arrastar de uma situação que quanto mais tempo demorar, e por isso o senhor Presidente da República pediu celeridade às entidades que estão a fazer os seus inquéritos e a averiguar os factos, por forma a que este processo não conduza, portanto, à degradação da confiança dos cidadãos nas instituições democráticas”, afirmou ainda.
Para José Luís Carneiro, o caso “está a degradar a autoridade política do Estado”, garantindo que sobre isso “nenhum português tem dúvidas”, deixando a responsabilidade em Luís Montenegro.
“Eu, no dia 29 de julho, transmiti o meu parecer ao senhor primeiro-ministro, Dr. Luís Montenegro. A responsabilidade pelo que se passou, pelo que se terá passado e pelo que se poderá vir a passar no futuro é, naturalmente, uma responsabilidade que deve ser colocada ao Primeiro-Ministro. E só ele é que deve avaliar e só ele é que pode avaliar, porque é ele que forma o seu Governo, se o ministro tem ou não tem condições para o exercício das funções”, concluiu.
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