Bruxelas quer restringir vistos de turistas russos em resposta aos ataques na Alemanha
A União Europeia quer também impedir a entrada de antigos combatentes e mercenários russos, enquanto dados de 2025 mostram mais de 477 mil vistos turísticos emitidos a cidadãos russos.
A União Europeia (UE) vai avançar com novas restrições aos vistos turísticos de cidadãos russos, depois de surgirem informações de que um dos suspeitos do ataque falhado de drones com explosivos no aeroporto de Leipzig entrou no espaço Schengen com um visto emitido pelas autoridades italianas.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
A alta representante da UE para os Negócios Estrangeiros, Kaja Kallas, anunciou medidas para endurecer as normas de emissão de vistos, incluindo a proibição de entrada dirigida a antigos combatentes e mercenários.
“Houve um amplo apoio à implementação de uma proibição de visto da UE para ex-combatentes russos e restrições de visto mais rigorosas para turistas russos”, afirmou Kallas após uma reunião de ministros dos Negócios Estrangeiros da União na Irlanda, citada pelo Euractiv.
“Se for verdade, demonstra claramente que os vistos são uma ferramenta destas pessoas que pretendem prejudicar a UE. Não é aceitável que, durante esta guerra, russos entrem e desfrutem da hospitalidade dos países europeus. Não deveria funcionar assim. Muitos Estados-membros já alertaram que, na verdade, esses tipos de vistos de turista são usados para atos de sabotagem”, destacou a responsável.
O Governo alemão responsabilizou esta terça-feira a Rússia pelo ataque falhado em Leipzig/Halle, onde um drone equipado com explosivos foi encontrado nas proximidades de um avião de carga ucraniano. Moscovo rejeitou as acusações e classificou-as como “fabricadas”.
De acordo com o jornal alemão Süddeutsche Zeitung, citado pelo Euractiv, as autoridades alemãs identificaram dois suspeitos. Um deles será um cidadão de origem russa com passaporte letão e o outro um bielorrusso com passaporte russo, que já tinha antecedentes criminais nos Estados bálticos e terá entrado no espaço Schengen com um visto turístico italiano emitido em Minsk no final de abril.
O ministro dos Negócios Estrangeiros italiano, Antonio Tajani, frisou que Roma vai investigar a emissão do visto para “verificar os factos”, defendendo também que a União Europeia deve permanecer em alerta perante possíveis operações de influência ou sabotagem.
“Haverá uma investigação. Porém, tudo isto confirma que há uma tentativa por parte de alguns países de realizar ações contra a UE, inclusive utilizando pessoas que podem não ter antecedentes criminais e não são suspeitas”, alertou o ministro italiano, mencionado pelo Euractiv.
A discussão sobre os vistos russos não é nova. Em julho, França, Itália e Grécia pressionaram para limitar uma proposta liderada pelos Estados bálticos que pretendia impedir a entrada na UE de antigos militares russos. O compromisso entretanto alcançado acabou por ficar limitado a cidadãos com experiência direta de combate ou participação em operações militares.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})
Bruxelas quer restringir vistos de turistas russos em resposta aos ataques na Alemanha
{{ noCommentsLabel }}