Ex-ministro da Defesa ucraniano procura capital dos EUA para novo fundo de defesa e tem apoio da Palantir para nova empresa
O fundo deverá financiar e criar empresas focadas em robótica, drones intercetores e mísseis com IA. Fedorov também tem o apoio da Palantir para desenvolver uma nova empresa de tecnologia de defesa.
O antigo ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, está a procurar investimento norte-americano para lançar um fundo dedicado a tecnologias de defesa, com o objetivo de financiar e desenvolver novas empresas capazes de responder às necessidades militares de Kiev na guerra contra a Rússia.
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O projeto pretende ir além do modelo tradicional de capital de risco, criando uma estrutura capaz não apenas de investir em startups ucranianas, mas também de criar e gerir diretamente empresas de defesa.
“Este não é exatamente um fundo de investimento clássico. Estamos a escrever uma nova história da guerra”, afirmou Fedorov, em entrevista ao Financial Times.
Entre as áreas prioritárias estão a robótica de campo de batalha, drones intercetores rápidos e de baixo custo e mísseis equipados com inteligência artificial (IA). A ideia é aproveitar a experiência adquirida pela Ucrânia durante mais de quatro anos de guerra para acelerar o desenvolvimento de tecnologias que possam ser utilizadas no campo de batalha.
Fedorov foi o ministro da Defesa mais jovem da história da Ucrânia até ser demitido após seis meses no cargo. A destituição desencadeou semanas de protestos em todo o país e mergulhou Volodymyr Zelensky numa das mais profundas crises políticas desde que assumiu a presidência.
Agora, Mykhailo Fedorov procura capital junto de investidores norte-americanos, incluindo empresas tecnológicas e fundos de capital de risco. A estratégia passa também por aprofundar a cooperação entre a indústria de defesa ucraniana e os Estados Unidos, num momento em que Kiev enfrenta limitações de capacidade, nomeadamente na defesa aérea.
Uma das propostas apresentadas pelo antigo ministro passa precisamente por uma troca tecnológica com Washington. Segundo o jornal britânico, Mykhailo Fedorov defende que a Ucrânia poderia ajudar os Estados Unidos a “construir um exército de drones” em troca de mísseis intercetores Patriot, num contexto em que o Presidente ucraniano tem apelado a Donald Trump o envio destes sistemas intercetores cruciais para responder aos ataques aéreos russos.
A proposta enquadra-se na visão de Fedorov de que a experiência ucraniana na utilização de drones e de inteligência artificial pode ser transformada numa vantagem industrial e militar mais duradoura, depois de ter sido responsável por uma das áreas mais ligadas à transformação tecnológica das Forças Armadas ucranianas.
Startup de defesa com apoio de Palantir
O antigo ministro, afastado do Governo ucraniano em julho, também pretende desenvolver uma nova empresa de tecnologia de defesa e que terá Alex Karp, presidente executivo da Palantir, como primeiro grande investidor.
“A nova empresa aproveitará a experiência de Fedorov em guerra tecnológica moderna, tendo como missão principal fortalecer a Ucrânia e desenvolver tecnologias de defesa que possam ajudar a construir um futuro mais seguro para o mundo inteiro”, refere um comunicado, citado pela Reuters.
A ligação à Palantir acrescenta uma dimensão tecnológica e internacional à nova empresa. Fedorov e Karp colaboram há mais de cinco anos e a empresa norte-americana já forneceu software à Ucrânia para apoiar operações militares relacionadas com a guerra contra a Rússia.
Alex Karp será, segundo explica Fedorov, o primeiro grande investidor da nova empresa. Num vídeo divulgado pelo antigo ministro da Defesa da Ucrânia na rede social X, o CEO da Palantir vincou que a iniciativa poderá ser “decisiva para o mundo”.
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A empresa ainda não revelou o nome nem os detalhes das tecnologias que pretende desenvolver. O objetivo comum dos dois projetos é aproximar inovação tecnológica, capital privado e necessidades militares, mantendo a experiência acumulada pela Ucrânia durante a guerra como ponto de partida para o desenvolvimento de novas capacidades de defesa.
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