Pré-avisos de greve disparam quase 65% nos primeiros sete meses do ano
Foram entregues até ao final de julho 739 pré-avisos de greve, mais 290 do que no período homólogo. A contestação em torno da reforma laboral ajuda a explicar esta evolução.
Nos primeiros sete meses de 2026, deram entrada 739 pré-avisos de greve, de acordo com os dados divulgados pela Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT). É o correspondente a um disparo de quase 65% face ao mesmo período do ano passado, o que é explicado, nomeadamente, pela contestação que se gerou em torno da reforma laboral (que acabou por ficar pelo caminho).
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Segundo as estatísticas agora conhecidas, até julho, foram registados 661 avisos prévios de greve fora do setor empresarial do Estado e 78 no setor empresarial do Estado, totalizando 739 pré-avisos entregues.
Em comparação, nos primeiros sete meses de 2025, tinham sido entregue 449 pré-avisos de greve, o que significa que se registou um aumento de quase 65% este ano, de acordo com as contas do ECO.t
Esta evolução é explicada, nomeadamente, pela contestação em torno da reforma do trabalho. Depois da greve geral convocada para 11 de dezembro pela UGT e pela CGTP, a central sindical liderada por Tiago Oliveira marcou para 3 de junho um novo protesto generalizado contra o conjunto de mudanças à lei laboral, que acabariam por ser chumbadas no Parlamento.
É preciso mesmo recuar até 2023 para encontrar um período de janeiro a julho com mais pré-avisos de greve (980), sendo de destacar que esse ano, coincidentemente, também ficou marcado por uma reforma laboral. Nesse caso, levada a cabo pelo último Governo de António Costa e com o objetivo de reforçar os direitos dos trabalhadores, nomeadamente no que diz respeito à contratação a prazo e à não declaração de vínculos.

Os dados da DGERT permitem também perceber que, do total de avisos prévios entregues em julho, 122 deram lugar a serviços mínimos, conforme mostra a tabela acima: 50 com base em acordos alcançados entre as partes, 26 foram processos que foram enviados para o Conselho Económico e Social (CES) e 46 por despacho do Governo.
Já olhando apenas para julho, as estatísticas revelam que foram entregues 32 avisos de greve, dos quais 28% no setor das atividades administrativas e dos serviços de apoio, 13% das indústrias transformadoras e 10% nos transportes e armazenagem.
Um dos pontos da reforma laboral que o Governo de Luís Montenegro queria levar a cabo prendia-se, precisamente, com o direito à greve. Em cima da mesa, estiveram propostas de alargar os setores abrangidos potencialmente por serviços mínimos, de modo a garantir que o direito à greve convive de forma adequada, por exemplo, com o direito ao trabalho.
Essa mudança — tal como as outras dezenas que estavam a ser negociadas há quase um ano — acabou, contudo, por não avançar. O Governo tem dito, porém, pela voz da ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, que não vai desistir que rever a lei do trabalho, considerando-o inevitável.
O Executivo argumenta que só com maior flexibilidade nas relações de trabalho será possível “desbloquear” a produtividade e estimular os salários, de modo a que possam ficar mais alinhados com os praticados nos demais países do Velho Continente.
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