Salgado, Morais Pires e Rioforte visados por ex-sócio francês do BES em ações de mil milhões

Crédit Agricole ajudou a família Espírito Santo a recuperar o controlo do BES nos anos 90 e perdeu todo o investimento com a queda do banco há 10 anos. Agora avança com dois processos de mil milhões.

Ricardo Salgado, Amílcar Morais Pires e ainda a Rioforte, o braço não financeiro do GES: os três acabam de ser visados judicialmente pelo grupo Crédit Agricole, histórico parceiro da família Espírito Santo no BES, que faliu há mais de dez anos. Os franceses colocaram duas ações que superam os mil milhões de euros no total, segundo os registos no portal Citius consultados pelo ECO.

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Os processos deram no Tribunal da Comarca de Lisboa em julho e, apesar de terem os mesmos três visados, foram apresentados por duas entidades diferentes do grupo francês: o próprio banco Crédit Agricole e a PredicaPrévoyance Dialogue du Crédit Agricole, a companhia de seguros que pertence ao mesmo grupo.

A petição do banco francês envolve uma soma de 855 milhões de euros. Já a ação interposta pela seguradora apresenta um montante de 152,8 milhões.

O ECO contactou o grupo financeiro gaulês e a defesa de Ricardo Salgado para perceber as razões destes dois processos, mas nenhuma das partes quis fazer qualquer comentário.

Da aliança nos anos 90 ao divórcio

O Crédit Agricole foi um dos grandes aliados da família Espírito Santo na recuperação do controlo do BES, no início da década de 1990, após a nacionalização do banco, em 1975.

Os franceses chegaram a ser o segundo maior acionista do banco, com mais de 20%, um participação que era controlada através da Bespar. Era esta a holding que unia as duas partes, controlando mais de 35% do BES.

Em 2014, o Crédit Agricole detinha 16,7% da Bespar e a Predica quase 10% da holding. O banco francês detinha ainda uma participação direta de 10,8% no banco português. Ou seja, os gauleses detinham 20,1% do BES entre participações diretas e indiretas.

Meses antes da queda do BES, quando já se avolumavam os sinais de crise no seio do grupo português, as duas partes decidiram-se afastar com a extinção da Bespar e cada uma passou a deter posições autónomas no banco.

Com o aumento de capital de 1.045 milhões de euros realizado pelo BES em junho, e no qual investiram apenas 10 milhões, os franceses viram a sua participação diluída para menos de 15%.

Os acionistas – incluindo o Crédit Agricole — viriam a perder tudo logo a seguir: no dia 4 de agosto, o Banco de Portugal avançou com uma medida de resolução ao banco.

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