Administração Trump apoia OpenAI em litígio contra New York Times
O litígio entre o New York Times e a OpenAI já é antigo. O jornal interpôs há quase três anos, no final de dezembro de 2023, a ação judicial contra o fabricante do ChatGPT.
A administração Trump dá razão à OpenAI num longo litígio com o New York Times, que acusa a criadora do ChatGPT de violar os direitos de autor ao utilizar os seus conteúdos para treinar modelos de inteligência artificial.
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Um documento oficial apresentado ao tribunal federal de Nova Iorque responsável pelo caso e consultado esta quinta-feira pela agência francesa AFP invoca questões de “progresso científico”, crescimento económico e “segurança nacional” para justificar a posição do governo norte-americano.
“Por todas estas razões, os Estados Unidos têm um interesse primordial em que este tribunal rejeite qualquer argumento segundo o qual o treino de grandes modelos de linguagem (LLM) com base em textos protegidos (…) violaria os direitos de autor“, argumenta o executivo norte-americano na declaração de 20 páginas, assinada pelo procurador-geral adjunto Stanley Woodward.
Numa publicação no X, Stanley Woodward sublinha ainda que o Presidente dos EUA, Donald Trump, “afirmou claramente que o domínio no domínio da IA é uma questão crucial para a segurança nacional, a prosperidade e a mobilidade económica de todos os americanos”. “Esta administração nunca permitirá que a nossa nação fique em desvantagem face aos nossos adversários estrangeiros devido a uma interpretação manifestamente errada dos direitos de autor“, acrescentou.
Um porta-voz do New York Times, Graham James, citado pelo jornal, reagiu criticando a administração Trump por se aliar a um punhado de “empresas multimilionárias” em detrimento dos criadores.
Segundo sustenta, esta posição favorável a que as empresas possam apropriar-se de conteúdos sem o consentimento nem a remuneração dos seus autores “comprometeria a sustentabilidade dos conteúdos criados por seres humanos, dos quais depende uma sociedade saudável e de que a IA necessita para funcionar”.
O litígio entre o New York Times e a OpenAI já é antigo, tendo em conta o desenvolvimento acelerado da IA generativa. O jornal interpôs há quase três anos, no final de dezembro de 2023, a ação judicial contra o fabricante do ChatGPT, bem como contra a Microsoft. Denunciando “uma violação dos direitos de autor em termos de conteúdo e de trabalho jornalístico”, o Times estimava, na altura, em “vários mil milhões de dólares” os prejuízos sofridos.
Nem a OpenAI nem a Microsoft reagiram, até ao momento, à “declaração de interesse” do governo norte-americano.
Os direitos de autor tornaram-se uma questão fundamental com o desenvolvimento da IA generativa. As ações judiciais intentadas pelo Times baseiam-se, nomeadamente, num conceito jurídico denominado “uso leal” (fair use, no inglês) que autoriza a utilização de obras protegidas sem o consentimento dos titulares dos direitos.
Ao contrário do jornal, o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) considera que este conceito se aplica ao treino de modelos de IA a partir de conteúdos escritos. Segundo o DoJ, a interpretação restritiva do New York Times constituiria um obstáculo à concorrência, o que equivaleria a subsidiar generosamente “os antigos grupos de comunicação social tradicionais”.
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