Dinamarca denuncia planos russos para sabotar indústria da Defesa
Os serviços de informação dinamarqueses detetaram preparativos concretos para operações de sabotagem e já estão em contacto com empresas do setor consideradas potenciais alvos.
Os serviços de informações dinamarqueses detetaram planos dos serviços secretos russos para realizar atos de sabotagem contra empresas da indústria de defesa no país, numa resposta ao apoio de Copenhaga à Ucrânia e num contexto de crescente preocupação perante ameaças híbridas da Rússia contra infraestruturas críticas europeias.
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“A identificação e a preparação são tão específicas que sentimos a necessidade de deixar claro que esta é uma ameaça que deve ser levada a sério”, afirmou o chefe de contraespionagem do Serviço Dinamarquês de Segurança e Inteligência (PET), Emil Graesholm, em entrevista ao jornal dinamarquês Berlingske, citado pelo Euractiv.
As autoridades dinamarquesas já estão em contacto com empresas de defesa consideradas potenciais alvos, de acordo com o chefe de contraespionagem dinamarquês.
“Os russos estão a preparar ativamente atos de sabotagem dirigidos à indústria de defesa na Dinamarca. Isto não é apenas um aviso de que pode chegar à Dinamarca um dia. Já podemos ver o planeamento em curso. Em termos muito concretos”, acrescentou o responsável.
A ameaça surge num momento de crescente preocupação na Europa com operações de sabotagem atribuídas à Rússia. A Alemanha afirmou esta semana que Moscovo esteve por detrás de uma tentativa de ataque com um drone carregado de explosivos junto ao aeroporto de Leipzig/Halle, onde o aparelho foi encontrado perto de uma aeronave ucraniana.
A Rússia rejeitou as acusações e o Ministério dos Negócios Estrangeiros do país convocou o diplomata alemão em Moscovo, rejeitando as acusações “totalmente fabricadas” pela Alemanha.
A Dinamarca tem sido um dos aliados europeus mais firmes no apoio militar a Kiev. Segundo dados do Kiel Institute, vistos pelo Euractiv, Copenhaga é a maior apoiante da Ucrânia em termos relativos ao PIB, uma posição que, segundo os serviços de informações dinamarqueses, aumenta o risco de ações hostis russas.
A fabricante ucraniana Fire Point planeia instalar na Dinamarca uma fábrica de combustível sólido para sistemas militares, embora o projeto tenha sofrido um atraso e esteja agora previsto para 2027.
Os serviços de informação russos estarão a tentar recrutar pessoas através do Telegram e de outras redes sociais para executar tarefas de reconhecimento aparentemente inofensivas. Entre os pedidos identificados pelas autoridades estão fotografias de camiões de carga, portões ou armazéns. A polícia dinamarquesa já terá contactado algumas das pessoas recrutadas para estas missões.
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