Fusão Helvetia Baloise reforça o negócio em Portugal
João Marmelo, country manager em Portugal, aposta na continuidade da atividade após a fusão da Helvetia com a Baloise que deu lugar à segunda maior seguradora suíça.
A fusão suíça que criou o grupo segurador Helvetia Baloise, vai passar a controlar a antiga operação da Baloise no Luxemburgo pelo que, na prática, a carteira de 3,3 mil milhões de ativos portugueses sob gestão da Baloise Luxemburgo não é afetada. Também a possibilidade de depender de Espanha, dada a aquisição de 70% do capital Caser pela Helvetia em 2020, não se confirma.
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Com a integração legal e operacional das seguradoras do grupo concluída a 1 de julho de 2026, foram transformadas as duas companhias numa só líder no setor Não Vida e segunda maior na Suíça, com 21,3 mil milhões de euros de prémios em 2025, 22 mil colaboradores e 13 milhões de clientes.
Em entrevista a ECOseguros, João Marmelo, que continua country manager da agora Helvetia Baloise em Portugal, explica a nova realidade.
O negócio em Portugal dependia da Baloise Vie Luxembourg. Como vai ser agora? A carteira vai ser transferida para que entidade?
Para os clientes e parceiros portugueses, a mensagem principal é de continuidade. O negócio continuará, nesta fase, a ser desenvolvido através da Baloise Vie Luxembourg, agora integrada no Grupo Helvetia Baloise. Não está prevista neste momento qualquer transferência da carteira portuguesa para outra entidade.
Haverá alterações nos contratos em Portugal?
A integração dos dois grupos será feita progressivamente e, naturalmente, poderão existir evoluções no futuro mais em matéria da designação comercial da empresa. Mas hoje não há qualquer alteração nos contratos, nas condições ou no acompanhamento dos nossos clientes e parceiros.
Qual a ligação que haverá à Helvetia Baloise Espanha?
Portugal continuará a ser gerido a partir do Luxemburgo e não ficará dependente da operação espanhola. No entanto, fazer parte de um grupo europeu de maior dimensão abre naturalmente oportunidades de colaboração entre mercados. Portugal e Espanha têm também uma ligação crescente no segmento de clientes de elevado património. Temos clientes que mudam de residência, patrimónios distribuídos por várias jurisdições e famílias cada vez mais internacionais. A escala do novo Grupo poderá ser uma vantagem importante neste contexto.
Qual o atual volume de ativos sob gestão de entidades portuguesas ou residentes em Portugal?
Estamos atualmente em cerca de 3,3 mil milhões de euros de ativos associados ao mercado português. É um valor muito significativo para a dimensão de Portugal e que demonstra o crescimento que conseguimos construir nos últimos anos.
Quais os segmentos mais importantes?
O nosso posicionamento é muito específico: trabalhamos essencialmente no segmento de patrimónios elevados, em parceria com bancos privados, sociedades gestoras, family offices e outros profissionais da gestão patrimonial.
Qual o peso de Portugal na carteira internacional do grupo?
Portugal representa hoje cerca de 22% da nossa carteira internacional. É, por isso, um mercado absolutamente estratégico para nós. Portugal deixou há muito de ser um mercado periférico neste negócio. Existe hoje um ecossistema muito sofisticado de private banking, gestão de ativos e family offices, ao qual se juntou uma população internacional com património significativo. A nossa ambição é continuar a crescer e consolidar essa posição.
Quais as nacionalidades mais significativas entre os clientes?
Os portugueses continuam naturalmente a representar a maioria dos nossos clientes, mas a carteira é hoje muito mais internacional do que há alguns anos. Temos uma presença relevante de brasileiros, franceses, britânicos e outras nacionalidades europeias e internacionais que escolheram Portugal como país de residência. Esta internacionalização é uma das características mais interessantes do mercado português e é particularmente adequada ao tipo de soluções patrimoniais que desenvolvemos a partir do Luxemburgo.
Quais os objetivos financeiros para este ano?
O nosso objetivo para 2026 é alcançar cerca de 250 milhões de euros de novos prémios em Portugal, mas não queremos crescer a qualquer preço. Neste segmento, a qualidade dos ativos, dos parceiros e dos processos de compliance é tão importante quanto o volume. Queremos continuar a ganhar quota, desenvolver novas parcerias e aumentar os ativos associados ao mercado português, mantendo o posicionamento no segmento de clientes de elevado património.
Quantas pessoas ficam a trabalhar no negócio em Portugal?
Mantemos uma equipa de quatro pessoas exclusivamente dedicada ao mercado português, apoiada por mais nove pessoas portuguesas integradas em várias equipas especializadas no Luxemburgo. É um modelo que funciona muito bem porque combina o acompanhamento comercial dos clientes com toda a capacidade de estruturação, KYC (Know Your Client), compliance, legal e operações que temos no Luxemburgo. A fusão não reduz a nossa ambição em Portugal. Pelo contrário: passamos a fazer parte de um grupo europeu de maior dimensão e queremos transformar essa escala em novas oportunidades de crescimento.
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