Moção de censura apresentada pelo Chega “é ridícula”, reage Hugo Soares
Líder da bancada do PSD afirma que opção do Chega é o "terminar da 'silly season' em que todos, ou quase todos, vamos alimentando e especulando e comentando aquilo que o deputado André Ventura quer".
- Hugo Soares, líder da bancada do PSD, criticou a moção de censura do Chega, considerando-a "ridícula" e um "embate" com o Governo.
- Argumenta que a moção de censura não se justifica, pois não se pode pedir a demissão de um ministro através de um projeto de resolução.
- O debate sobre a moção de censura do Chega poderá ser agendado para 10 ou 17 de setembro.
O líder da bancada parlamentar do PSD considerou “ridícula” a moção de censura anunciada na quarta-feira pelo presidente do Chega, considerando que é André Ventura quem coloca “em causa as instituições”.
Em entrevista à SIC Notícias, Hugo Soares afirmou que a decisão do Chega “é um embate com o Governo”. “O objetivo de uma moção de censura é derrubar um governo e provocar eleições. Portanto, esta não é uma moção de censura contra Luís Neves, não é uma moção de censura contra este ou aquele aspeto ou contra aquela circunstância. É uma moção de censura contra um Governo e por isso é que ela é ridícula”, explicou.
“É mais um epílogo, um terminar da silly season em que todos, ou quase todos, vamos alimentando e especulando e comentando aquilo que o deputado André Ventura quer, e vamos todos no engodo”, sublinhou ainda Hugo Soares, criticando a “censura a um governo sem saber o resultado do inquérito” pedido pelo Ministério da Justiça ao período em que Luís Neves, ministro da Administração Interna, era diretor nacional da Polícia Judiciária.
O social-democrata lembrou que tudo isto “começou com o deputado André Ventura a anunciar uma comissão de inquérito” sobre Luís Neves. Daí “passou para um projeto de resolução, que é uma coisa que eu nunca vi para pedir a demissão de um ministro, como se um ministro se demitisse pela aprovação de um diploma legislativo”, referiu Hugo Soares.
“E termina a semana com uma ameaça, ou proto-ameaça — ‘é hoje?’, ‘é amanhã?’ –, e as televisões, o espaço mediático e o deputado André Ventura, em entrevistas sucessivas, a anunciar a moção de censura que apresenta hoje [quarta-feira, 2 de setembro]”, criticou.
Hugo Soares desvalorizou também as revelações sobre a conduta e decisões de Luís Neves quando estava na PJ, indicando que “é suspeito porque há um conjunto de reportagens televisivas de não sei quê, disto e daquilo”.
“O ministro anda num carro que era de um ex-traficante de droga. É ilegal? Não é ilegal, é normal, é possível e é assim que acontece”, defendeu Hugo Soares, para quem tudo isto tem o objetivo de criar uma “perceção” na opinião pública. “Esperavam que andasse num carro de um empresário de sucesso?”, ironizou..
O líder da bancada do PSD também condenou as declarações de Ventura que “juntam o ministro ao tráfico de droga”. “Estamos a falar de um ministro que combateu como poucos o tráfico de droga. Haja respeito. Quem está a pôr em causa as instituições é o deputado André Ventura com este tipo de comentário e é isto que tem de ser dito de uma vez por todas”, rematou o deputado.
“Não se pode associar um ministro que durante uma vida inteira combateu o tráfico de droga à circunstância de andar num carro que era de um ex-traficante de droga — e bem, porque isso acontece muitas vezes no estado, de usarem bens que estão apreendidos por força de criminosos. Não se pode entrar neste jogo”, concluiu.
O ministro anda num carro que era de um ex-traficante de droga. É ilegal? Não é ilegal, é normal, é possível e é assim que acontece.
Na quarta-feira, o Chega deu entrada no Parlamento de uma moção de censura ao Governo que, para passar, teria de ter o apoio do PS. “Se o primeiro-ministro não compreende que este é um problema de decência e de dignidade do Estado, então o principal partido da oposição deve demonstrar, humildemente, que é mesmo uma questão de dignidade das instituições”, desafiou André Ventura.
Segundo a TSF, o debate sobre a moção de censura poderá ocorrer a 10 ou a 17 de setembro. A decisão deverá ser tomada em conferência de líderes nesta quinta-feira à tarde.
Luís Neves reagiu na terça-feira às polémicas envolvendo o seu nome numa cerimónia da PSP na Madeira, afirmando: “Podem continuar a gritar, vou continuar a governar.”
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