“Não dou recados a ninguém, eu falo com o povo”, diz Montenegro
Primeiro-ministro reagiu também à apresentação da moção de censura pelo Chega, dizendo não ver razão nenhuma que justifique a queda do Governo.
O primeiro-ministro considerou esta quinta-feira que o povo português “não está interessado na dinâmica do jogo político, quase de bastidores, e dos recados que as pessoas mandam umas às outras na praça pública”. “Eu não mando recados a ninguém; eu falo com o povo, para as pessoas”, afirmou, em declarações transmitidas pela RTP Notícias.
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As declarações de Luís Montenegro, que se encontra em São Tomé e Príncipe para assistir à tomada de posse de Carlos Vila Nova, reeleito Presidente daquele país, surgem na sequência de comentários de socialistas próximos de António José Seguro.
Álvaro Beleza, membro da comissão política do PS e amigo e apoiante de sempre do atual Presidente da República, disse no último domingo ao Diário de Notícias estar “confiante” de que o caso que envolve o ministro da Administração Interna será resolvido antes de 5 de outubro, “a bem da confiança nas instituições”, colocando uma data concreta na pressão política sobre Luís Neves.
Já Adalberto Campos Fernandes, ex-ministro da Saúde e conselheiro presidencial, falou mesmo num “irregular funcionamento das instituições”, o que aumentou a impaciência das principais figuras do Governo e do PSD.
“Deus me livre se eu governasse atendendo àquilo que dizem os comentadores, sejam eles de direita, de esquerda, de centro… Eu governo à base das minhas convicções e dos compromissos que assumi com o povo”, reagiu Montenegro esta quinta-feira, quando questionado se, após a votação da moção de censura, vai manter uma estratégia de equidistância entre o Chega e o PS no plano político.
Rejeitando que, com estas palavras, esteja a diminuir o que as pessoas opinam na praça pública, o líder do Executivo frisou, contudo, que “uma coisa é dizerem [o que pensam], outra coisa é quererem impor eles próprios ao Governo que faça assim ou assado“.
“Quem tem ideias e quer desempenhar a função da governação candidata-se. (…) Foi o povo que me escolheu e escolheu este Governo. E creio que o povo não está interessado propriamente na dinâmica do jogo político, quase de bastidores, e dos recados que as pessoas mandam umas às outras na praça pública. Eu não mando recados a ninguém, eu falo com o povo, para as pessoas”, sublinhou.
Luís Montenegro reagiu também à moção de censura apresentada pelo Chega, devido às polémicas que envolvem o ministro Luís Neves, afirmando que “não faz sentido” e que “não aconteceu nada de extraordinário que justifique a interrupção do trabalho do Governo”.
Neste sentido, acusou a oposição de jogo político e mediático: “Parece-me é que as oposições serão tão mais capazes de se apresentarem como alternativas se mostrarem sentido de responsabilidade. Porque ninguém quer a governar um país alguém ou algumas forças partidárias que não têm sentido de responsabilidade e de Estado”.
O presidente da Assembleia da República, José Pedro Aguiar-Branco, convocou para esta quinta-feira, às 15h30, a conferência de líderes parlamentares extraordinária, que vai decidir se o debate da moção de censura se realiza a 10 ou 17 de setembro.
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"Foi o povo que me escolheu e escolheu este Governo. E creio que o povo não está interessado propriamente na dinâmica do jogo político, quase de bastidores, e dos recados que as pessoas mandam umas às outras na praça pública.”
“Estamos a aguardar a definição do dia e da hora em que temos de nos apresentar à Assembleia da República para responder a esta moção e mostrar que ela não faz sentido, que ela se enquadra numa lógica de mero jogo político e não está focada na resolução dos problemas das pessoas”, atirou o primeiro-ministro.
(Notícia atualizada às 13h07, incluindo alteração do título e do lead)
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