Casa Branca cria videojogo sobre deportações de imigrantes 

  • Lusa
  • 4 Setembro 2026

Jogo online está disponível desde 5.ª feira no site oficial da Presidência dos EUA e é inspirado no clássico “Snake”. Há outro jogo que envolve a construção de um muro na fronteira com o México.

A Casa Branca lançou um videojogo que retrata a deportação de imigrantes ilegais, justificando que “destaca ainda mais o contraste entre uma cultura ‘divertida’ e ‘vencedora’ e a visão socialista sombria dos democratas” para os Estados Unidos.

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O jogo online, disponível desde quinta-feira no site oficial da Presidência norte-americana, é inspirado no clássico “Snake”, adotando os seus gráficos antiquados.

O jogador deve orientar uma personagem que representa Tom Homan, o principal conselheiro de imigração do Presidente Donald Trump, e reunir o máximo de pessoas possível que tenham atravessado o Rio Grande na fronteira com o México, para deportá-las.

Outro jogo lançado online na quinta-feira pela Casa Branca envolve a construção de um muro na fronteira com o México, uma bandeira de Trump, baseado nos princípios do famoso “Tetris”. O jogo chama-se “Proteja a Fronteira da Horda que se Aproxima”.

Outros jogos no site da Casa Branca focam-se em bandeiras presidenciais, como os monumentos de Washington, refeições escolares e contas bancárias criadas para crianças.

O Governo de Trump, que fez do combate à imigração ilegal uma das suas principais bandeiras na vitoriosa campanha às eleições de 2024, vangloria-se frequentemente da dureza com que estes indivíduos são tratados e deportados.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) divulgou recentemente um vídeo que mostra a deportação de imigrantes haitianos algemados, depois de Washington ter revogado um estatuto que lhes permitia permanecer legalmente no país. O vídeo, com música de fundo, foi considerado degradante e racista pelos opositores de Trump.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou ter detido um número “recorde” de quase 51 mil imigrantes indocumentados em agosto.

A estratégia de comunicação da Casa Branca emprega abertamente o princípio do “trolling” nas redes sociais, que consiste em disseminar conteúdo provocatório para gerar indignação e, com probabilidade, tornar-se viral.

Amérika García Grewal, codiretora da ONG Frontera Federation, afirmou à AFP que os criadores dos jogos sobre deportações “perderam de vista o que significa ser humano e preocupar-se com os outros”.

“Isto causa-me nojo. Brincaram com a vida das pessoas durante anos e agora estão a fazer um videojogo sobre as suas ações”, disse à AFP a respnosável da ONG com sede no Texas.

A política de deportações maciças é uma das poucas que está alinhada com o rumo traçado pelo Presidente republicano.

As medidas na economia e na diplomacia estão a ser negativamente avaliadas pelos norte-americanos à medida que se aproximam as cruciais eleições intercalares em novembro, nas quais estará em jogo o controlo do Congresso.

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