Economia dos EUA supera expetativas e cria 162 mil empregos em agosto
A criação de emprego ficou muito acima do consenso dos analistas de 56 mil novos postos, aumentando a probabilidade de a Fed subir as taxas de juro no próximo mês.
- O número de empregos nos setores não-agrícolas nos Estados Unidos aumentou em 162 mil em agosto, superando as expectativas e reforçando a economia.
- Os economistas esperavam a criação de apenas 56 mil postos de trabalho, com a Reserva Federal agora mais inclinada a considerar um aumento nas taxas de juro.
- A reação do mercado inclui um aumento nas taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro, refletindo a incerteza sobre a política monetária futura da Fed.
O número de empregos nos setores não-agrícolas nos Estados Unidos subiu em 162 mil em agosto, face à expectativa de criação de 56 mil postos de trabalho, informou esta sexta-feira o Bureau of Labor Statistics (BLS), demonstrando uma pujança da economia que deve reduzir a hesitação do banco central em subir as taxas de juro.
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Os economistas consultados pela Reuters apontavam para um mínimo de 25 mil e um máximo de 121 mil novos postos de trabalho.
Os dados de julho foram revistos para a criação de 21 mil empregos, após um anuncio inicial de uma redução de 23 mil.
A Reserva Federal dos Estados deverá decidir na reunião de 16 de setembro se altera as Federal Funds Rates no contexto da incerteza sobre o desfecho da guerra no Médio Oriente e o impacto na inflação, especialmente nos preços da energia.
Antes da divulgação dos dados do emprego, segundo o site CME FedWatch Tool, que monitoriza a negociação dos futuros das taxas de juro, a probabilidade de a Fed subir o custo do dólar em 25 pontos base para o intervalo atual de 3,75%-4% era de 52,4%, tendo descido de 62.5% de quarta-feira após um dos governadores da Fed, Christopher Waller, ter afirmado que se inclinava a defender a manutenção das taxas inalteradas este mês, caso os próximos dados confirmassem que as pressões inflacionistas estavam a abrandar.
Fed olha agora para inflação
Depois da divulgação dos números, essa probabilidade voltou a subir, para 58%. As taxas de rendibilidade dos títulos do Tesouro dos EUA também subiram, no mercado secundário, na sequência da notícia. A yield da dívida a 2 anos, a mais sensível às expectativas do mercado quanto à ação da Fed em matéria de taxas de juro, subiu 7,6 pontos base, para 4,41%, enquanto a das obrigações benchmark a 10 anos subiu 3,2 pontos base, para 4,792%.
“Os números acabaram por ser mais de três vezes superiores ao esperado e isso certamente contribuiu para a confusão em relação ao que a Reserva Federal irá fazer, principalmente porque a Fed nos disse que pretende concentrar-se na inflação em vez dos dados sobre o emprego”, explicou Sam Stovall, estrategista-chefe da CFRA Research, “Agora que os números do emprego são substancialmente mais elevados, penso que isso aumenta a possibilidade de a Reserva Federal, pelo menos, estar a considerar essa hipótese”.
“A verdadeira questão é o que acontecerá ao mercado após os dados de inflação da próxima semana, porque já não temos mais resultados financeiros a divulgar e a reunião do Fed só terá lugar na semana seguinte e, por isso, a única coisa em que o mercado se pode concentrar são os dados de inflação da próxima semana”, vincou, referindo-se à divulgação da informação a 11 de setembro.
(Notícia atualizada às 14h25 com mais informação e reações)
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