Mais de 100 mil pessoas aderiram ao passe gratuito no cartão municipal Porto

  • Lusa e ECO
  • 4 Setembro 2026

Entre as 100 mil que utilizam transportes gratuitos no Porto, cerca de metade já utilizavam o passe Andante. Duarte diz que é "muito difícil encontrar melhor que a STCP", mas respeita opções de Gaia.

Mais de 100 mil pessoas já aderiram ao passe de transportes públicos gratuitos no cartão municipal Porto, disse esta sexta-feira aos jornalistas o presidente da Câmara portuense, Pedro Duarte, sobre a medida tomada em 10 de julho.

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“Nós temos hoje em dia mais de 100 mil cartões Porto. que estão já distribuídos e, portanto, acho que isso enche-nos, por um lado, de orgulho, mas também de responsabilidade, porque agora os transportes públicos têm de responder àquilo que, de facto, é um sinal que a cidade foi dando também a nós próprios na Câmara Municipal”, disse hoje aos jornalistas Pedro Duarte.

O autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL falava aos jornalistas sobre a gratuitidade dos transportes públicos, medida do seu programa eleitoral implementada em 10 de julho, após ter viajado no elétrico 22 da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), entre o Carmo e a Batalha, que retomou o serviço em 01 de agosto.

Segundo Pedro Duarte, entre as 100 mil pessoas que utilizam os transportes gratuitos no Porto, cerca de “50 mil já utilizavam o passe” Andante, mas há “outros 50 mil que são novas adesões ao cartão”.

Nós temos hoje em dia mais de 100 mil cartões Porto. que estão já distribuídos e, portanto, acho que isso enche-nos, por um lado, de orgulho, mas também de responsabilidade, porque agora os transportes públicos têm de responder àquilo que, de facto, é um sinal que a cidade foi dando também a nós próprios na Câmara Municipal.

Pedro Duarte

Presidente da Câmara do Porto

Voltando a responder acerca da pressão criada noutros municípios que não têm a mesma capacidade financeira que o Porto para implementar esta medida, Pedro Duarte disse compreender que “do ponto de vista político, não é muitas vezes simpático e não é fácil de gerir”.

“Tenho mostrado disponibilidade para trabalhar com eles [outros autarcas], para caminharmos naquilo que eu acho que um dia virá a acontecer, que é toda a área metropolitana aderir a uma medida desta natureza”, vaticinou.

O autarca insistiu no “efeito social muito importante da medida, porque ajuda muito as famílias“, mas falou também num “efeito na mudança de paradigma de mobilidade, que é muito importante”.

“Isso vai sentir-se provavelmente a médio e longo prazo. Portanto, eu não estou à espera que haja uma grande transferência modal no curto prazo. É bom que coloquemos as expectativas no lugar certo. Mas eu acho que nós, dentro de quatro, cinco, seis anos, vamos olhar para trás e vamos perceber que a relação dos cidadãos com o transporte público mudou”, antecipou.

Para Pedro Duarte, isso é importante para as pessoas quebrarem algumas barreiras e começarem a colocar em primeiro lugar o transporte público e utilizarem o transporte individual apenas quando é essencial ou é inevitável a sua utilização, havendo casos “em que isso vai continuar a acontecer”.

Em 15 de julho, cinco dias depois da implementação dos transportes públicos gratuitos, o município contava 30 mil adesões no cartão Porto.

Desde 10 de julho, formaram-se longas filas à porta do Gabinete do Munícipe para aderir à gratuitidade, com a autarquia a apelar ao uso dos meios ‘online’.

Os transportes públicos para quem tem morada fiscal no Porto são gratuitos desde 10 de julho e desde que o residente detenha o Cartão Porto.

Os beneficiários podem viajar por toda a Área Metropolitana do Porto (AMP) de forma gratuita nos diferentes modos de transporte: autocarros (STCP e Unir), elétrico, metro, comboios e barco.

Os estudantes que residam no Porto, ainda que com morada fiscal noutra localidade, podem pedir também o Cartão Porto. Além do Gabinete do Munícipe, a adesão ao cartão municipal pode ser feita ‘online’ (https://cartao.porto.pt/) e noutros locais. No ‘site’ do cartão municipal, basta clicar no botão “Aderir” no topo da página e fazer o seu registo.

“É muito difícil encontrar melhor que a STCP” mas Porto respeita opções de Gaia

O presidente da Câmara do Porto disse também respeitar uma eventual saída de Gaia da STCP, mas acredita que quando for feita uma avaliação se perceberá que “é muito difícil encontrar um prestador melhor” que a transportadora intermunicipal.

“Eu deixava, como uma nota otimista, que acho que quando for feita a avaliação por parte dos intervenientes, todos vamos perceber que se calhar é muito difícil encontrar um prestador melhor do que a STCP”, disse hoje Pedro Duarte aos jornalistas, após uma viagem no elétrico 22, quando questionado sobre a possível saída de Vila Nova de Gaia da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP).

Na segunda-feira, o PS divulgou um despacho interno do presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, em que refere a “saída dos STCP” do concelho até final do ano, admitindo o executivo que se trata apenas de uma “possibilidade”.

O presidente da Câmara do Porto, cujo município é acionista maioritário da transportadora (Gaia é acionista com 12,04% do capital social), disse que hoje em dia há “razões para ter orgulho na STCP”, pois “tem primado pelo esforço de ter cada vez mais qualidade no seu serviço”, dando como exemplo o recente canal de comunicação via WhatsApp, lançado esta semana.

“Há um esforço grande também de investimento na melhoria da frota, a substituição para a frota mais moderna, de incremento do número de autocarros disponíveis. Portanto, o caminho é muito positivo e é muito de melhoria daquilo que é o serviço prestado”, considerou.

Para Pedro Duarte, “felizmente a STCP é uma empresa hoje em dia muito bem gerida e muito saudável” que “vai continuar a prestar o seu serviço cada vez com mais qualidade”. “No Porto nós estamos muito satisfeitos e não temos qualquer hesitação quanto a isso”, assegurou, ao mesmo tempo que disse respeitar “aquilo que seja a opinião de qualquer município”.

O autarca entende que “os outros municípios são livres de decidir aquilo que entenderem”, mas disse que “da parte dos STCP há também a vontade de prestar o melhor serviço possível aos cidadãos também de Gaia”.

“É uma decisão de Gaia e, portanto, eu fico triste no dia em que nós não tivermos uma coordenação metropolitana do sistema de transportes públicos. [Sobre] a forma como o vamos fazer não atribuo uma relevância particular”, disse.

Pedro Duarte disse ainda acreditar que “a hipotética mudança do operador não põe em causa aquilo que é a utilização de transportes públicos” em Gaia, cujo presidente, Luís Filipe Menezes (também eleito por uma coligação PSD/CDS-PP/IL) “tem tido uma grande sensibilidade para esta matéria”.

“Ele próprio tem-me ajudado muito do ponto de vista da implementação até desta ideia [transportes públicos gratuitos], e ele afirmou já publicamente que não implementa de imediato em Gaia porque não tem condições para isso”, acrescentou.

Na reunião de Câmara de Gaia de segunda-feira, no despacho de Menezes citado pelo PS podia ler-se: “Também ao Senhor Vereador Dr. Fernando Machado para iniciar e acompanhar a saída dos STCP até 31 de dezembro, assegurando carreiras alternativas de ligação ao metro em Gaia por preços vantajosos”.

O vereador do PS João Paulo Correia disse que “a maioria da Câmara e o senhor presidente querem rescindir com a STCP em Vila Nova de Gaia”, considerando “um erro brutal esta decisão”.

O vereador da Mobilidade Fernando Machado referiu que Gaia “paga cinco milhões de euros ao ano por oito linhas dos STCP” e “não chega a um milhão de euros ao ano que paga por todas as linhas da Unir”.

Também a vereadora Carla Costa defendeu que Menezes apenas pediu ao vereador “o estudo, a possibilidade, ou quanto custará ao município e que vantagens” traria ao município uma rescisão, e que “não está em cima da mesa avançar com isso”, mas sim “a possibilidade, um estudo, análise ao tema”.

O departamento de assessoria jurídica da Câmara de Gaia deu conta que “a posição jurídica de cada município não constitui uma relação contratual autónoma e livremente disponível”, não havendo “um direito de denúncia unilateral” do contrato com a STCP, mas “tal não significa, contudo, que uma desvinculação seja juridicamente impossível”.

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