Pentágono quer reforçar operações de ciberespionagem com empresas privadas

A nova estratégia de ciberdefesa dos EUA deverá permitir ao Pentágono recorrer a empresas privadas para ampliar operações ofensivas, numa mudança face à política seguida durante a Administração Biden.

O Pentágono prepara uma mudança na forma como conduz operações de cibersegurança e pretenderá passar a recorrer de forma mais direta a empresas privadas para ampliar as suas capacidades de hacking ofensivo.

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Rascunhos da nova estratégia de ciberdefesa do Departamento da Defesa norte-americano incluem linguagem que incentiva o recurso a contratantes privados para apoiar operações ofensivas contra ciberataques apoiados por Estados, de acordo com três pessoas familiarizadas com o documento citadas pelo Politico.

“O objetivo é construir um ecossistema onde podemos atribuir estas missões aos contratantes e eles possam ampliar as operações do Governo dos EUA”, afirmou uma das fontes sob condição de anonimato ao jornal.

A mudança surge num momento em que empresas privadas estão a desenvolver ferramentas e modelos de inteligência artificial (IA) capazes de identificar e explorar vulnerabilidades informáticas, aumentando o interesse do Pentágono pelas capacidades do setor privado.

Nos últimos meses, algumas empresas privadas e startups de tecnologia de defesa arrecadaram centenas de milhões de dólares com a promessa de vender ferramentas de hacking ofensivo ao governo. Grandes empresas de IA, como a Anthropic, também sinalizaram publicamente que estão dispostas a permitir que o Pentágono utilize os seus modelos mais robustos em operações cibernéticas ofensivas.

A estratégia nacional de cibersegurança da Casa Branca, publicada em março, definiu a ofensiva digital como uma prioridade e prometeu criar “novos incentivos” para que empresas de tecnologia e segurança ajudem a identificar e interromper ciberataques estrangeiros.

A cooperação entre o Pentágono e as empresas será, contudo, sujeita a forte supervisão. “O setor privado não pode simplesmente carregar nos botões sozinho”, vincou outra fonte sob condição de anonimato, citada pelo mesmo jornal.

A estratégia será a primeira orientação abrangente do Departamento da Defesa para o ciberespaço desde 2023. O documento deverá ser acompanhado por um plano de ação destinado a traduzir as novas prioridades em operações concretas.

Embora o Pentágono ainda não tenha comentado publicamente os pormenores revelados pelo Politico, a adoção desta abordagem marcaria uma maior integração de empresas privadas nas capacidades ofensivas de ciber-guerra dos Estados Unidos.

A estratégia poderá ser divulgada já na próxima semana, segundo as fontes citadas pelo Politico.

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