Surpresa e alívio. Ações da VW atingem máximos de 11 semanas após aprovação do plano de restruturação

"Isto constitui uma grande surpresa para quase todos os investidores", referiram analistas do Deutsche Bank. "Praticamente todos com quem falámos viam a VW como impossível de consertar".

As ações da Volkswagen (VW) negoceiam esta sexta-feira a subir 6%, tendo chegado a avançar 7% para máximos de 11 semanas, com os investidores a mostrarem entusiasmo (e alívio) por o conselho de supervisão da maior fabricante automóvel da Europa ter chegado, na véspera, a um acordo reestruturação centrado em cortes massivos de postos de trabalho e que evita um confronto entre os principais acionistas.

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Às 10h19, os títulos da VW ganham 5,90 para 81,65 euros cada, numa sessão em que o índice DAX negoceia na linha de água na bolsa de Frankfurt.

O conselho de supervisão da Volkswagen aprovou esta quinta-feira, por unanimidade, um plano abrangente de transformação que deverá incluir o corte de cerca de 50 mil postos de trabalho no grupo, incluindo cargos de gestão. O chamado “Future Plan 2030”, apresentado pela equipa executiva da Volkswagen e aprovado em reunião do conselho de supervisão, visa tornar o Grupo Volkswagen e suas marcas mais eficientes, mais competitivos e melhor posicionados para o futuro, indicou em comunicado.

“Isto constitui uma grande surpresa para quase todos os investidores“, referiram os analistas do Deutsche Bank, numa nota de research. “Praticamente todos os inúmeros investidores com quem falámos nos últimos dias continuavam a considerar a Volkswagen simplesmente impossível de consertar, e o ceticismo em relação à probabilidade de um acordo abrangente mantinha-se extremamente elevado”.

A aprovação é, na opinião dos analistas do banco alemão, “um avanço fundamental e um resultado muito melhor do que se temia“, prevendo, ainda antes de abertura das bolsas, que o mercado reagiria de forma positiva.

Problemas “não se resolvem da noite para o dia”

A Volkswagen, tal como a maioria das suas congéneres europeias, está sob pressão devido às pesadas tarifas nos Estados Unidos, à queda das vendas na China — outrora a sua principal fonte de receitas — e à entrada de rivais asiáticos agressivos no mercado europeu estagnado. Todos estes fatores têm corroído a margem operacional do grupo, que se situou nos 3,8% no primeiro semestre, uma descida face aos 7,9% registados em 2022, o seu pico na última década.

Apesar dos ganhos desta sexta-feira, as ações da VW acumulam uma perda de 22,2% desde o início do ano.

O Deutsche alertou, no entanto, que os problemas que “não se resolvem da noite para o dia”, e que a aprovação “marca apenas o início da próxima fase, e a execução continua a ser fundamental“. Ainda assim, “elimina aquela que talvez fosse a maior preocupação dos investidores: se a empresa ainda é capaz de tomar as decisões difíceis necessárias para os resolver”.

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