Trotinetes são “problema” no Porto. Pedro Duarte ‘aperta’ com empreiteiro do metrobus
Depois de Gaia, Braga e Espinho, também o autarca social-democrata quer "reduzir substancialmente" a utilização da trotinetes na cidade do Porto, "substituindo por outros modos suaves".
O presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, considerou esta sexta-feira que as trotinetes elétricas partilhadas “são um problema” na cidade e quer mais fiscalização, admitindo também substituí-las pela aposta noutros modos de mobilidade suave, como a bicicleta.
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“As trotinetes hoje em dia são um problema na cidade. Eu não escondo, é verdade, são um problema na cidade. Portanto, nós temos de regular, nós temos de pedir às autoridades, nomeadamente policiais, para que estejam atentas às trotinetes, como estão, aliás, ao resto dos modos de transporte”, disse aos jornalistas após uma viagem no elétrico 22, entre o Carmo e a Batalha, no Porto.
Para Pedro Duarte, “o Código da Estrada já prevê alguns requisitos que muitas vezes têm sido aligeirados por parte da fiscalização”.
O autarca apontou ainda a uma “questão contratual que é relevante”, pois “houve um contrato assinado ainda em 2025 pelo executivo anterior que concessionou as trotinetes a determinadas empresas”, com quem o município tem conversado.
“Tem havido também da parte deles uma enorme abertura para que possamos ir reduzindo aquilo que é, por um lado, o número de ‘troteiros’ na cidade, e por outro, para conseguirmos regular o mais possível aquilo que é o tráfego de trotinetes na cidade”, apontou.
Assim, disse que se irá “reduzir substancialmente a utilização da trotinete na cidade do Porto, substituindo por outros modos suaves”.
“A bicicleta, por exemplo, é um modo que nós queremos promover. Agora, tem que ser feito com segurança: segurança para os próprios e segurança para o resto das pessoas, aquelas que andam a pé nos passeios e aquelas que andam de automóvel, ou de autocarro ou de outro meio de transporte na via pública”, disse o autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL.
As empresas de trotinetes partilhadas Bolt, Lime e Bird defenderam na semana passada que têm adaptado o seu serviço às diferentes regras municipais, numa altura em que várias autarquias têm acabado com estas operações nos seus territórios.
“Temos adaptado consistentemente as nossas operações à medida que as regras municipais têm evoluído”, referem numa reposta a questões da Lusa relacionadas com o fim destes serviços em vários municípios, dando como exemplo trabalhos colaborativos com as autarquias de Lisboa e do Porto.
Este ano, novos autarcas já eliminaram os serviços em Vila Nova de Gaia (distrito do Porto), Braga e Espinho (Aveiro), tendo também sido lançados debates sobre os serviços no Porto, em Lisboa e em Coimbra após vários incidentes.
Porto exige metrobus pronto em dezembro após “incumprimento de prazos” do empreiteiro
Por outro lado, o presidente da Câmara do Porto deu até ao final do ano para o empreiteiro terminar as obras da segunda fase do metrobus, falando em “incumprimento de prazos” do construtor, que “não tem cumprido com as suas obrigações”.
“É importante que se diga – não tenho problemas em dizê-lo publicamente – temos tido problemas sérios com o empreiteiro da obra. Nós não, a Metro [do Porto] – nós não somos donos da obra, é a Metro – por incumprimento de prazos”, disse hoje aos jornalistas Pedro Duarte, após uma viagem no elétrico 22 da STCP.
O autarca eleito pela coligação PSD/CDS-PP/IL disse mesmo que “o empreiteiro não tem cumprido com as suas obrigações”. “O empreiteiro disse na minha cara que concluiria a obra até outubro. Não vai fazer, provavelmente. Mas até ao fim do ano é para nós a data limite. Portanto, eu espero que desta vez se cumpra a palavra e até ao fim do ano nós precisamos ter aquela obra fechada”, vincou.
Pedro Duarte disse ainda que a Câmara tem “feito um esforço grande para dar todas as condições para acelerar aquilo que é o prazo da obra”.
Em causa estão as obras da segunda fase do metrobus, que decorre atualmente entre o cruzamento entre as avenidas da Boavista e Marechal Gomes da Costa e a Praça Cidade do Salvador, conhecida como a rotunda da Anémona.
A obra foi adjudicada à empresa Alexandre Barbosa e Borges (ABB).
Na semana passada, em entrevista ao Público, o presidente da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), Luís Osório, disse que a última informação de que dispunha era que “em janeiro seria o início da operação da segunda fase”.
“A experiência diz-me que talvez isso possa derrapar, mas aqui é meramente especulativo. Neste momento, esperamos começar a segunda fase em janeiro, seja em testes, seja na totalidade”, disse ao jornal o responsável da empresa que opera o serviço, apesar de a obra estar a cargo da Metro do Porto.
Esta semana, a Lusa questionou também a Metro do Porto sobre qual é o novo prazo oficial da empresa para o fim das obras da segunda fase do metrobus, quando é expectável que o serviço esteja em funcionamento, quando é que estará pronta a estação de produção e carregamento de hidrogénio e se foi preciso recorrer a fundos extra PRR [Plano de Recuperação e Resiliência] para terminar a obra, uma vez que o prazo do PRR foi ultrapassado, mas ainda não obteve resposta.
As obras da segunda fase, que chegaram a ser suspensas pela nova administração da Metro do Porto em outubro, recomeçaram em 03 de novembro de 2025 na Avenida da Boavista, entre o Colégio do Rosário e a Fonte da Moura.
Um mês antes, a Metro do Porto tinha decidido fazer uma “paragem técnica temporária” da obra desta segunda fase do metrobus.
As obras foram alvo de contestação, quer por parte de candidatos à presidência da autarquia nas eleições de outubro de 2025, quer por populares, nomeadamente quanto ao abate de árvores.
O metrobus do Porto será um serviço de autocarros a hidrogénio que ligará a Casa da Música à Praça do Império e à Anémona (na segunda fase) em 12 e 17 minutos, respetivamente.
O conjunto dos veículos e do sistema de produção de energia custaram 29,5 milhões de euros. Já a empreitada do metrobus custa cerca de 76 milhões de euros.
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