Mercado de transferências. Sporting hiperativo, Porto conservador e Benfica equilibrado
Com o fecho do mercado de transferências, os três maiores clubes nacionais adotaram estratégias diferentes, mas todos acabaram com o saldo positivo.
A última semana do mercado foi agitada por negócios de muitas dezenas de milhões por parte dos clubes da inglesa Premier League, mas por cá a realidade foi bem diferente. Os três principais clubes nacionais de futebol partem para a nova época com o mesmo objetivo — serem campeões nacionais e fazerem brilharetes na Europa –, mas as estratégias foram dissonantes. No conjunto, acabou por ser um mercado bem menos agitado do que há um ano no que toca a valores transacionados.
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Começando pelo panorama geral, há uma desaceleração tanto das receitas como dos gastos em transferências. Se, na época 2025/2026, Futebol Clube do Porto, Sporting e Benfica haviam gasto mais de 330 milhões em novos jogadores, este ano esse valor cai 35%, para perto de 215 milhões. Há um ano, Benfica e Porto tinham gasto mais de 100 milhões cada, e o Sporting aproximou-se dos 90, mas agora só o clube de Alvalade furou esse patamar, com mais de 123 milhões de euros investidos.
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Mas este dado não pode ser desligado da estratégia seguida por Frederico Varandas e Rui Borges para a época que agora começa: operar uma profunda transformação no plantel. Isto significa que saíram jogadores muito influentes (e que renderam muito dinheiro) e foram contratados profissionais com grande potencial e valor de mercado. Por outras palavras, foi ano de vender muito e comprar muito, para compor o que se vendeu.
Se o Sporting foi quem mais comprou, também foi aquele que mais vendeu, e ainda fechou esta janela com lucro (algo que o Benfica tinha feito na época anterior). Entraram nos cofres de Alvalade mais de 150 milhões de euros, com destaque para as vendas de Hujlmand, Trincão e Diomande. De salientar que Geovany Quenda saiu oficialmente do Sporting neste mercado, mas o negócio havia sido feito no ano passado, sendo os 50 milhões associados a essa transferência imputados ao exercício anterior. Com esse valor, o superávite seria ainda maior.
De referir que esta é a primeira vez desde 2021/22 que o Sporting é o clube que mais gasta em contratações de jogadores, a única vez que tal tinha acontecido nas sete épocas antes desta e que foram analisadas pelo ECO.
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Já o campeão em título, o FC Porto, seguiu uma estratégia completamente diferente. Costuma dizer-se que “em equipa que ganha não se mexe” e terá sido essa a máxima no Dragão, que procurou manter os principais jogadores que garantiram o título, sobretudo o capitão Diogo Costa e a revelação Froholdt. O Porto teve, aliás, um mercado particularmente tranquilo, com poucas entradas e poucas saídas. Gastou dinheiro no coreano Hwang, na jovem promessa brasileira Mec e na compra do passe do polaco Kiwior, que já estava no Porto mas por empréstimo. Este último foi mesmo o maior investimento do campeão nacional neste mercado. No sentido inverso, saíram poucos jogadores, com destaque para Rodrigo Mora, que foi para a Roma por 25 milhões (referentes a metade do passe). Sozinho, Mora representou mais de metade das receitas de vendas do Porto.
Na Luz, um novo treinador traz o desafio de fazer uma equipa à sua medida, mas lidera um Benfica que não estará na Liga dos Campeões este ano, e que por isso terá menos receitas. E que no ano anterior foi quem mais gastou em reforços, com pouco retorno desportivo ou até financeiro. Daí que a estratégia pareça ter sido a do equilíbrio: mexer várias peças mas sem comprometer o equilíbrio financeiro ou um saldo positivo entre gastos e ganhos. Com custos, entraram apenas cinco atletas, sendo o mais caro o central australiano Circati, vindo do Parma. Em compras, o Benfica gastou um pouco abaixo dos 60 milhões, enquanto vendeu jogadores no valor de perto de 75 milhões, com destaque para as saídas de António Silva e de Dedic, ambas para Inglaterra.
Contas feitas, o Porto fecha este mercado com um saldo positivo de 11,5 milhões, o Sporting de 28,5 milhões e o Benfica ficou no meio, com 15,3 milhões. De referir que nestas contas não entra o valor que o Real Madrid pagou ao Benfica para levar o treinador José Mourinho. Contabilizando este valor, a mais-valia total do Benfica passaria para 30 milhões, superando a do Sporting.
Outro fator relevante neste mercado, e que já tinha sucedido de alguma forma no ano anterior, foi o recurso ao empréstimo de jogadores, em ambos os sentidos. Nos casos em que os empréstimos têm uma taxa associada, esse valor foi incluído nos gastos de transferências, o que não aconteceu com as cláusulas não obrigatórias, que podem ou não vir a concretizar-se. De referir ainda que os dados deste mercado comparam com os de toda a época de 2025/2026, incluindo o mercado de inverno, pelo que é de esperar que os valores de vendas e compras desta época possam aumentar, mesmo que ligeiramente, em janeiro.
A grande atividade do Sporting neste mercado teve ainda um outro efeito: levou a três entradas leoninas no top 15 dos jogadores mais caros alguma vez contratados pelos clubes portugueses. Rodrigo Zalazar, comprado ao Sporting de Braga por 30 milhões de euros, tornou-se mesmo o segundo jogador mais caro, ultrapassando, por exemplo, Richard Rios e Sudakov, que há um ano chegavam ao Benfica.
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