PSD diz que moção do Chega é deslocada. Ventura acusa oposição ao Governo de

  • Lusa
  • 6 Setembro 2026

O secretário-geral do PSD, Hugo Soares, afirma que a moção de censura do Chega é "completamente deslocada da realidade". Ventura responde com ataques à oposição ao Governo.

O secretário-geral do PSD, Hugo Soares, afirma que a moção de censura do Chega é “completamente deslocada da realidade” e que André Ventura quer “estar constantemente nas televisões“. Em declarações aos jornalistas à margem da festa de rentrée política do PSD de Ponte de Lima, o líder parlamentar justificou aquelas afirmações com o facto de, na sexta-feira, “uma agência de ‘rating’, das mais conceituadas, elevou o ‘rating’ da dívida pública para A+”.

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“É algo que não acontecia há cerca de 25 anos. Creio, sinceramente, que todas as circunstâncias que hoje o país vive com os salários a aumentarem, os impostos a descerem sucessivamente, o emprego em níveis máximos históricos, o desemprego em mínimos históricos, com as pessoas a saberem que têm um governo que está a transformar o país, esta moção de censura é completamente deslocada da realidade“, reforçou.

A agência Fitch subiu o ‘rating’ de Portugal de ‘A’ para ‘A+’, com ‘outlook’ (perspetiva) estável, indicando que esta subida “reflete o reforço das finanças públicas de Portugal, incluindo uma trajetória projetada de redução da dívida pública e saldos orçamentais consideravelmente mais fortes do que os dos seus pares, sustentados por um forte compromisso político com a prudência orçamental”.

Para Hugo Soares, o objetivo do Chega é pôr o país a “falar daquilo que verdadeiramente não interessa. É pôr o Chega no centro do debate político, que é isso que o deputado André Ventura gosta e sabe fazer, como ninguém, diria, e estar constantemente nas televisões para que se fale dele“, sublinhou.

O líder parlamentar do PSD acrescentou não estar disponível para esse debate, mas disse estar disponível para falar dos problemas que afetam a vida das pessoas, e para procurar, naquilo que diz respeito ao PSD, “encontrar as soluções”. “É isso que temos feito, e é isso que queremos continuar a fazer“, frisou.

A moção de censura do Chega ao Governo vai ser discutida no parlamento na terça-feira e já tem rejeição garantida, uma vez que precisaria de 116 votos a favor para ser aprovada e fazer cair o Governo, hipótese já afastada de forma clara por PS e IL.

A moção de censura do Chega vai ser a primeira ao XXV Governo Constitucional e a terceira a executivos PSD/CDS-PP liderados por Luís Montenegro. O documento intitula-se “Pelo fim de um Governo sem autoridade política, incapaz de assumir responsabilidades e de garantir confiança nas instituições” e visa responsabilizar o primeiro-ministro pela manutenção no Governo do ministro da Administração Interna.

A resposta de Ventura é dura. O presidente do Chega afirma que o expectável chumbo da moção de censura ao Governo de PSD/CDS-PP, apresentada em contestação à manutenção do ministro da Administração Interna, resulta de “uma espécie de esquizofrenia de coragem” na política portuguesa.

“Se o Chega está no centro das atenções é porque os outros [partidos] não tiveram nem coragem nem a capacidade de perceber que este era um assunto que não tinha que ver com discussão meramente política, não tinha que ver com discordar do ministro A ou do ministro B, tinha a ver com isto: decência. Onde não há decência, não há democracia. Onde não há decência, não há liberdade”, afirmou André Ventura, em declarações aos jornalistas à entrada de uma iniciativa de ‘rentrée’ da distrital de Lisboa do partido Chega, que ocorreu no concelho de Loures.

A moção de censura do Chega ao Governo de PSD/CDS-PP, motivada pela continuidade em funções do ministro da Administração Interna, Luís Neves, devido às polémicas que envolvem o seu nome enquanto foi diretor da Polícia Judiciária, vai ser discutida pelo parlamento na próxima terça-feira, prevendo-se que seja inviabilizada.

Questionado sobre a posição dos restantes partidos da oposição de inviabilizarem a moção de censura, apesar de criticarem a permanência do ministro Luís Neves no Governo, o presidente do Chega declarou: “Há nisto da política portuguesa uma espécie de esquizofrenia de coragem, que é: todos, quando veem que o Chega tem razão, ‘vamos lá atrás dele’, que é para não perder a opinião pública. Mas como é que votam agora? Contra.”

Sobre a consequência de fazer cair o Governo, caso a moção de censura fosse aprovada, André Ventura afastou essa intenção, explicando que não há outro instrumento que o parlamento disponha para afastar um ministro de funções.

“Em Portugal não há nenhum instrumento, ao contrário de Espanha, por exemplo, que permita destituir ministros através do parlamento. Espanha, por exemplo, tem moções de censura setoriais aos ministros. Portugal não tem. Todos, todos não, quase todos estamos de acordo que o que se passa com o ministro Luís Neves é uma captura das instituições do Estado”, afirmou o líder do Chega.

Por isso, André Ventura questionou o que é diferente entre o caso do ministro Luís Neves e o da empresa imobiliária Spinumviva ligada à família do primeiro-ministro, Luís Montenegro (PSD), que também motivou a apresentação de moções de censura ao Governo, uma do Chega e outra do PCP, ambas rejeitadas, mas que levou à apresentação de uma moção de confiança ao Governo, que foi chumbada em março de 2025, levando à queda do executivo de PSD/CDS-PP, que depois acabou por ser reeleito.

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