Apoiar transportadoras pode evitar contágio da subida de preços a toda a economia

Armindo Monteiro diz que é "urgente é atuar em áreas que mais facilmente se vão repercutir nos preços dos bens e serviços", mas defende que impostos devem ser estímulos à economia.

Apreensão e urgência. Este é o sentimento que impera perante a escalada dos preços dos combustíveis que arrisca comprometer a competitividade da economia nacional. Voltar a apoiar o setor dos transportes com medidas temporárias seria uma das soluções para evitar o contágio da subida de preços a toda a economia, defende o presidente da Confederação Empresarial de Portugal (CIP), mas também da indústria com uso intensivo de energia e a agricultura.

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“Há dois tipos de medidas fundamentais, uma mais estrutural e outra mais urgente”, diz ao ECO, Armindo Monteiro. “A mais urgente é atuar em áreas que mais facilmente se vão repercutir nos preços dos bens e serviços, ou seja, haver medidas transversais que permitam manter a competitividade face aos parceiros europeus”, explica o presidente da CIP, alertando para o facto de “o custo energético em Espanha ser muito diferente”. “Temos de reduzir o gap nos transportes e noutros setores”, defende.

O patrão dos patrões está “muito preocupado” com o setor dos transportes, porque este acaba por ter efeitos na generalidade da economia, pois tem “implicações na logística e na formação dos preços de todos os produtos”.

“Não podia ser de outra forma”, diz o porta-voz da ANTRAM, a associação que representa os transportadores rodoviários de mercadorias. “Perante uma subida tão abrupta dos preços as empresas têm de repercutir o aumento nos seus clientes”, explica ao ECO, André Matias de Almeida. “Se não forem capazes haverá um aumento das insolvências e a perda de milhares de postos de trabalho”, acrescenta.

O porta-voz da ANTRAM sublinha que a associação está “muito preocupada com a competitividade das empresas nacionais porque outros países europeus dão apoios mais avultados às empresas”, nomeadamente em Espanha, e que conta, “nos próximos dias, ter concluída a avaliação da situação” para poder calibrar o nível de ajudas necessárias.

Os apoios não são novidade e as medidas possíveis conhecidas e passam por apoios à tesouraria como já aconteceu no passado, através do pagamento postecipado dos encargos à Segurança Social. André Matias de Almeida garante que a associação está “em permanente articulação com o Governo” e que “há sempre um interlocutor certo e com poder de decisão, em caso de necessidade, muitas vezes o próprio ministro das Infraestruturas”.

Para Armindo Monteiro, o Governo deve centrar-se em medidas que promovam a competitividade da economia nacional e não em medidas cegas, como IVA zero, que apoiam de forma indiscriminada sem ter em conta os rendimentos. Setores como a agricultura — para o qual o Executivo já demonstrou abertura para bonificar o gasóleo agrícola — os transportes, mas também as indústrias intensivas em energia “devem ter as mesmas condições que os parceiros europeus”, diz o presidente da CIP.

Por isso, o responsável defende, como medida mais estrutural, que “é necessário olhar para a formação dos preços”, não numa lógica de receita, mas de apoio à economia. Armindo Monteiro critica a “política de cobrança de receita”, “à semelhança do que acontece com os custos do trabalho”, e sugere uma reflexão sobre a estrutura tributária. “As receitas não podem ser as mais fáceis de cobrar, mas tentar criar uma economia mais forte que aumente a disponibilidade de rendimentos das pessoas”, diz. “É preciso que a política fiscal não cerceie a capacidade de investir e de gerar rendimentos”, concluiu.

“O Governo deve olhar para os impostos como estímulos à economia”, defende e critica a postura dos partidos políticos.

“Enquanto as pessoas estão a fazer contas à vida, os partidos estão a fazer contas à eleições, a tentar fixar um eleitorado para eleições que não se sabe quando virão”, aponta. Governo e oposição deveriam governar um condomínio comum e não se alguém se posicionou na pole position“. “Devem estar concentrados em dar uma oportunidade ao país, nem tudo tem de ser política partidária”, conclui.

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