Carneiro foi à Galiza “ver com os próprios olhos a diferença” no preço dos combustíveis
Líder do PS deslocou-se ao primeiro posto de abastecimento de combustíveis depois da fronteira de Valença para atestar que são "30 a 40 cêntimos mais baratos que em Portugal" e pressionar o Governo.

O secretário-geral do PS disse insistiu esta segunda-feira que o Governo está a ganhar com o aumento dos combustíveis e recusou pronunciar-se sobre a posição do partido face à moção de censura apresentada pelo Chega.
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“Quando tomou posse em abril de 2024, em comparação com o fim de 2025, o Governo já ganhou mais de 1.048 milhões de euros com o aumento dos impostos sobre os combustíveis, e, portanto, o Governo está literalmente a ganhar dinheiro com o aumento dos custos de combustíveis que foi feito a partir de abril de 2024″, disse.
José Luís Carneiro deslocou-se ao primeiro posto de abastecimento de combustíveis, na Galiza, para “ver com os próprios olhos a diferença que há, [Valença] num raio de poucos quilómetros entre a realidade económica portuguesa e espanhola”.
“[São] 30 a 40 cêntimos mais baratos do que os combustíveis em Portugal. Se as propostas que o PS levou à Assembleia da República forem aprovadas significa reduzir 17 cêntimos por cada litro de combustível. Já as apresentamos por duas vezes, mas a AD [coligação PSD e CDS], os liberais e o Chega chumbaram essas propostas”.
Acompanhado pelos autarcas de Valença, José Manuel Carpinteira, e de Tui, Enrique Cabaleiro González, o secretário-geral do PS apelou àqueles partidos “que reponderem essa decisão e aprovem as propostas do PS”.
“As propostas têm a ver com a redução do IVA temporário de 23% para 13%, têm a ver com o aumento da potência de energia, nomeadamente a de eletricidade, o aumento de potência com a aplicação da taxa mínima do IVA e, por outro lado, também com a adoção do IVA zero para os bens alimentares essenciais, assim como o reforço dos apoios aos agricultores e aos pescadores”, disse.
Segundo José Luís Carneiro, “a economia portuguesa tem condições [para suportar os custos das medidas do PS] porque “a inflação dá mais receita ao Estado, entre janeiro deste ano e julho deste ano, o Governo já arrecadou mais de 1.070 milhões de euros de receita do que aquilo que tinha previsto”.
“Porquê? Porque a inflação tem estado acima daquilo que o Governo tinha previsto, (…) está a ganhar mais dinheiro com a inflação do que aquilo que pensava ganhar, e, portanto, quem é que paga esse aumento, esse acréscimo da receita do Estado? São os portugueses, nomeadamente com o aumento do custo de vida”, disse.
Carneiro considerou que os portugueses estão a “viver hoje muito mal, porque o custo de vida aumentou muito e, contrariamente àquilo que disse a AD, em 2022, com as medidas que o Governo do Partido Socialista tomou, os preços dos combustíveis em Portugal eram equivalentes aos preços dos combustíveis na fronteira com a Espanha”.
Sobre a votação, na terça-feira, da moção de censura apresentada pelo Chega, José Luís Carneiro escusou-se a aprofundar o assunto, dizendo que hoje à noite vai ouvir os órgãos do partido.
“Amanhã, [terça-feira] no coração da democracia, na Assembleia da República, diremos o que tivermos a dizer”afirmou.
Face à insistência dos jornalistas sobre se já tomou uma decisão sobre o assunto respondeu: “O Partido Socialista é um partido democrático, não é um partido autocrático. Para esses, autocráticos, há outros, não é esta escolha, não é esta porta, é outra porta”, referiu.
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