Metade dos alunos leva mais tempo do que previsto a acabar licenciatura
Análise da Fundação Francisco Manuel dos Santos deixa perceber também que número de alunos estrangeiros no ensino superior português disparou nos últimos anos. Peso das áreas STEM também aumentou.
Dos milhares de alunos que todos os anos entram no ensino superior (público e privado) em Portugal, cerca de metade não conclui a licenciatura no tempo previsto. E mesmo três anos após a duração esperada, um terço continua sem finalizar o curso. O retrato é feito pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, numa análise preparada a tempo do regresso às aulas.
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“Pouco mais de metade dos alunos de licenciatura (51%) concluem os cursos no tempo esperado, com percentagens muito próximas no público e no privado”, salienta a fundação.
Em concreto, no ensino superior público, a taxa de conclusão das licenciaturas no tempo esperado é de 50% (ou seja, metade não acaba na duração estipulada), enquanto no privado é de 53%.
Acrescentando um ano ao tempo esperado, as taxas de conclusão sobem para 60% no público e 61% no privado. Já três anos após a duração prevista da licenciatura, os dados mostram que 66% dos alunos do público e do privado conseguem concluir as licenciaturas, o que significa que um terço continua sem finalizar o curso, mesmo após esses anos.
Em comparação, no caso dos mestrados integrados, 55% dos alunos conseguem acabar no tempo esperado; 66% terminam um ano após o prazo previsto; E, três anos após o esperado, 73% conseguem concluir.
Por outro lado, da Fundação Francisco Manuel dos Santos realça que as taxas de conclusão variam de foram considerável entre as várias instituições, mesmo no mesmo curso. Por exemplo, nos mestrados integrados em Medicina, a taxa de conclusão nos seis anos previstos varia entre 77% e 88%. E, na arquitetura, entre 2% e 42%.
Já no que diz respeito à taxa de abandono um ano após o ingresso (sem que seja para mudar de curso ou instituição), os dados mostram que esta chegou a atingir 30% das entradas em 2022/2023 e 2023/2024. “A tendência geral é para haver mais abandono nos cursos com nota média de entrada mais baixa, mas mesmo nos cursos cujas médias de entrada rondam os 18 valores há taxas de abandono de 9,4%, logo no final do primeiro ano”, é destacado.
O que mais se estuda no ensino superior português?

A análise divulgada esta segunda-feira permite perceber também que o número de novos inscritos no ensino superior em áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) tem vindo a crescer em número e em proporção, nos últimos anos.
“Na comparação a dez anos, houve um acréscimo de quase mais dez mil alunos (um aumento de 57%, de 17.304 para 27.193) e uma subida de 2,3 pontos percentuais na percentagem do total de novos ingressos, que atingiu os 28,5% em 2024/2025″, é sublinhado.
Em paralelo, o número de novos diplomados nestas áreas também tem vindo a crescer, embora de forma menos expressiva. Em causa está um aumento de 30% face a 2014/2015.
Por outro lado, a Fundação Francisco Manuel dos Santos observa que a presença de estudantes estrangeiros no ensino superior tem vindo a crescer a um ritmo estável de mais quatro mil alunos ao ano, em média.
“Nos últimos 15 anos, o número de estudantes estrangeiros quadruplicou, passando de 20 mil para 80 mil alunos, no ano letivo de 2024/2025. Este crescimento é particularmente expressivo nos mestrados integrados, onde o número de alunos estrangeiros aumentou sete vezes, passando de 3.282 alunos em 2010 para 22.523 em 2025″, é adiantado.
Brasil, Angola, Guiné-Bissau, França e Itália eram os cinco países com mais alunos inscritos no ensino superior português, em 2024/2025.
No total, nesse ano letivo, estiveram inscritos no ensino superior português mais de 456 mil alunos, é o corresponde a um salto de 2% face ao ano anterior, de 15% face há cinco anos e de 30% face há uma década. Estes crescimentos resultaram, sobretudo, do aumento do número de alunos em licenciaturas e mestrados, tendo, em contraste, o universo dos inscritos em mestrados integrados encolhido (em reflexo da diminuição da oferta).
Há ainda a destacar que, no ano letivo em análise, os cursos com a nota média mais elevada, para quem ingressou pelo concurso nacional de acesso, foram: Engenharia Aeroespacial (19,5 valores) da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto; Engenharia e Gestão Industrial (19 valores) também da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto; e Medicina (18,8 valores), da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto.
Dois milhões, do pré-escolar ao ensino superior

A análise apresentada esta segunda-feira não se cinge apenas ao ensino superior, indicando que, no ano letivo de 2024/2025, havia já mais de dois milhões de alunos inscritos no sistema educativo nacional. São mais 9.326 do que no ano anterior.
“Este crescimento resultou sobretudo do aumento de cerca de nove mil alunos no primeiro ciclo do ensino básico e de quase oito mil no ensino superior. Esta tendência contraria as previsões baseadas na natalidade e reflete, em grande medida, o forte crescimento populacional relacionado com o aumento da imigração“, é explicado.
“Em sentido inverso, os dados revelam uma quebra de quase quatro mil alunos no pré-escolar e de mais de três mil no ensino secundário“, nota a Fundação.
Entre 2021 e 2025, diplomaram-se 9.466 novos professores, mais 1.585 do que no período de 2016 a 2020. São cerca de dois mil novos professores por ano, abaixo das cerca de três mil aposentações anuais previstas.
Por outro lado, as estatísticas mostram que há mais professores a serem formados, mas ainda abaixo das necessidades de substituição.
“Entre 2021 e 2025, diplomaram-se 9.466 novos professores, mais 1.585 do que no período de 2016 a 2020. São cerca de dois mil novos professores por ano, abaixo das cerca de três mil aposentações anuais previstas“, é assinalado.
A análise detalha também que os educadores de infância e professores do primeiro e segundo ciclos representam cerca de 40% dos novos diplomados nos mestrados em ensino.
Já os professores das disciplinas do terceiro ciclo e secundário representam apenas 20%, sendo que foi neste grupo que se registaram as maiores quebras no número de diplomados, nas últimas décadas. “Na disciplina de Física e Química, por exemplo, o número de diplomados passou de 703, em 2006-2010, para apenas 32, em 2016-2020”, é indicado.
No entanto, a contrariar a tendência das últimas décadas, no período de 2021-2025 aparecem já sinais de inversão da tendência, com a procura pelos mestrados de ensino de disciplinas específicas do terceiro ciclo e secundário a registarem um aumento expressivo.
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