Ricardo Gonçalves Cerqueira: “Não me preocupo nada se as pessoas estão das 9 às 18 horas no escritório”
Acompanhou o negócio da família desde pequeno e assumiu a sua gestão quando o pai saiu da empresa. Hoje, Ricardo Cerqueira lidera a Rekeep Portugal, o grupo onde acabou por fundir o negócio familiar.
Ricardo Gonçalves Cerqueira, CEO da Rekeep Portugal, é o 94º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. Com apenas oito anos, já acompanhava o pai nas “andanças dos negócios” e garante que era muito difícil separar o trabalho da família. Por essa razão, apesar de se ter licenciado em Direito e feito algumas incursões na área pública após terminar o curso, acabou por se juntar ao negócio da família e fazer a gestão da empresa.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
“O meu pai era diretor geral de uma sociedade grande ligada à higienização e à segurança privada. Depois entendeu sair e criar o seu próprio negócio e, a partir dali, foi um desígnio familiar assumir. Ainda estudei Direito, tive períodos curtos na área pública, mas por volta dos 22 anos comecei a fazer o caminho de A a Z na empresa da família“, começou por dizer.
Para Ricardo Gonçalves Cerqueira, fazer este caminho foi fundamental para “dominar o negócio”: “Eu entendo que para podermos tomar boas decisões, enquanto gestores, temos de conhecer sobre aquilo que estamos a decidir. Por isso, é fundamental conheceres todas as minudências do teu negócio – as dificuldades, as expectativas das pessoas que trabalham contigo. Eu tento sempre fazer o exercício de colocar-me nos sapatos do outro”.
Durante esse caminho de A a Z, o CEO contou que passou por diversas áreas dentro da empresa, nomeadamente pela parte operacional, pelo departamento comercial, pela contratação pública e, ainda, pelos Recursos Humanos. “Eu tinha a ambição de continuar o trabalho que o meu pai tinha iniciado e, se possível, dar-lhe outra dinâmica profissional. Isto porque as empresas familiares trabalham numa lógica de grande proximidade com o CEO, então todos reportam ao CEO, e eu aí identifiquei a necessidade de criar uma estrutura intermédia de gestão“, explicou.
Para isso, decidiu fazer uma “conjugação entre experiência e inovação”: “Aproveitei algumas pessoas que já vinham do tempo do meu pai e o resto fui buscar à universidade e à concorrência. Demos um salto qualitativo importante com a entrada de uma nova geração. A minha intenção, desde o início, foi transformar uma empresa que era um negócio de higienização e limpeza numa plataforma de multisserviços“.
“Senti que os clientes procuravam uma solução integrada, por isso era importante para o cliente conseguir, num único interlocutor, poder resolver o problema da limpeza, da manutenção e, eventualmente, do fornecimento de refeições. Por isso é que acho importante termos um leque alargado de serviços”, continuou.
-
Ricardo Gonçalves Cerqueira, CEO da Rekeep Portugal, no 94º episódio do podcast "E se corre bem?" Henrique Casinhas/ECO -
"Por volta dos 22 anos comecei a fazer o caminho de A a Z na empresa da família" Henrique Casinhas/ECO -
"Não me preocupo nada se as pessoas estão das 9 às 18 horas no escritório" Henrique Casinhas/ECO -
"A minha empresa, se não tivesse os funcionários que tem de outras origens, não conseguia dar resposta" Henrique Casinhas/ECO
Esta oferta prende-se também com inovação, que permita melhorar a qualidade da oferta. E aqui entra a robotização que, de acordo com Ricardo Gonçalves Cerqueira, “não vai substituir as pessoas”, mas ajuda numa melhor prestação de serviço: “Eu preservo muito o contacto humano, mas acho que a tecnologia veio ajudar-nos a otimizar processos. Por exemplo, nos hospitais, é importante termos robôs a trabalharem durante a noite nas áreas onde é possível. Assim, quando as equipas chegam de manhã já têm uma área enorme devidamente higienizada e podem iniciar o seu trabalho noutro local que esteja a requerer intervenção”.
A própria fusão da empresa familiar com o grupo italiano Rekeep resultou precisamente da preocupação com a inovação, que fez com que o CEO decidisse “procurar um parceiro internacional que trouxesse know-how”. “Quis uma empresa que fosse reconhecida no nosso setor de atividade, que nos trouxesse este know-how, capacidade técnica e tecnológica, e dá-se este encontro com a Rekeep, que é líder em Itália em vários segmentos de atividade, como limpeza, manutenção, catering”, contou.
Pelo facto de ter tido “quase dois anos de namoro” com a Rekeep antes de dar o passo de fundir a sua empresa no grupo, Ricardo Gonçalves Cerqueira garante que isso lhe deu um enorme conhecimento sobre a empresa, que acabou por ser a alavanca certa para que se tornasse CEO da Rekeep Portugal. Agora, enquanto líder do grupo no país, refere que a sua única preocupação é “o resultado da operação” e isso faz com que dê “total liberdade para as pessoas gerirem o seu horário”. “Não me preocupo nada se as pessoas estão das 9 às 18 horas no escritório”, disse.
Ainda assim, quando questionado sobre a dificuldade na captação e retenção de talento, o CEO referiu que nos quadros operacionais “há uma necessidade evidente de mão de obra”: “Nós hoje temos uma dificuldade imensa em encontrar portugueses que queiram fazer determinado tipo de funções. A minha empresa, se não tivesse os funcionários que tem de outras origens, não conseguia dar resposta“.
“Eu acho que a empresa tem de ter um conceito muito claro daquilo que pretende, de qual é a sua estratégia, e tem de envolver as pessoas e conduzi-las neste propósito comum. Em troca, julgo que a pessoa pode e deve ter um sentido de compromisso, de lealdade institucional à sociedade“, concluiu.
Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e da Scalpers.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Ricardo Gonçalves Cerqueira: “Não me preocupo nada se as pessoas estão das 9 às 18 horas no escritório”
{{ noCommentsLabel }}