Estado já comprou posição de 13,7% na REN. Dono da Zara oficializa saída
Operação obteve o visto prévio do Tribunal de Contas, com a holding de Amancio Ortega a alienar 91,7 milhões de ações da REN à holding do Estado.
A holding de Amancio Ortega já oficializou a venda de 13,7% do capital da REN – Redes Energéticas Nacionais à Parpública, confirmando desta forma que a operação foi aprovada pelo Tribunal de Contas. O visto prévio desta entidade era a “condição suspensiva” prevista no contrato de compra e venda e que foi agora “verificada”.
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Num comunicado à CMVM, remetido através da REN, a Pontegadea Inversiones, sociedade de investimento do dono da Zara, refere que “alienou à Parpública, nesta data, fora do mercado (over the counter), 91.723.676 ações correspondentes a 13,7% do capital social da REN, na sequência da verificação da condição suspensiva prevista no contrato de compra e venda celebrado com a Parpública a 14 de agosto“.
O valor da operação, que estava apenas condicionada à concessão de visto do Tribunal de Contas (TdC) e que o primeiro-ministro justificou com a necessidade de salvaguardar o interesse nacional e baixar o preço da energia, não foi divulgado nessa altura nem agora. O Jornal Económico noticiou que o valor inscrito no contrato enviado ao TdC era de 380 milhões de euros.
Na mesma nota, a holding do homem mais rico de Espanha, que em cinco anos lucrou até 169 milhões com o investimento na REN, informa que “deixou de deter uma participação qualificada e deixou de deter quaisquer ações ou direitos de voto” na empresa.
Até à venda da participação ao Estado português, a Pontegadea Inversiones, era a segunda maior acionista da empresa que gere as redes energéticas nacionais. A maior acionista é a State Grid Corporation of China, com 25%.
Opacidade na compra e na venda
A opacidade sobre a fatia que agora muda de mãos também existiu aquando da transação inicial em 2021 entre a Mazoon (da Oman Oil) e o family office que gere a vasta fortuna de Amancio Ortega, fundador da Inditex. Nessa altura também não foi divulgado o valor dos 12% que os espanhóis compraram aos omanis, mas recorrendo à cotação em bolsa do dia da transação – 12,06 euros por ação – o valor total dos 80,1 milhões de títulos transacionados chega perto dos 190 milhões de euros, valor também referido pelo jornal El País.
Em relação aos restantes 1,7% que a Pontegadea também vende agora à Parpública, não há números concretos divulgados, mas sabe-se que foram comprados na segunda metade de 2025, um período no qual as ações da REN negociaram entre 3 e 3,4 euros por ação, o que faz com que o valor do novo lote de ações adquirido se situou atualmente entre os 30 e os 38,5 milhões de euros, noticiou na altura a agência Europa Press.
Somando o investimento inicial com o valor mais alto do patamar do custo do reforço da posição, a mais-valia da Pontegadea com as ações da REN terá sido de 96,2 milhões de euros. Utilizando o limite mínimo no investimento do reforço, esse retorno sobe para 104,7 milhões.
A aquisição da participação na REN foi justificada pelo primeiro-ministro com a necessidade de “participar nas decisões de investimento e estratégicas” da empresa e “para que as pessoas possam usufruir da nossa capacidade produtiva e para que possamos baixar o preço da energia que consumimos em casa e que precisamos para economia”, afirmou na Festa do Pontal, a 14 de agosto. A ideia de que a aquisição permitirá reduzir o custo da eletricidade é contestada por vários especialistas.
(notícia atualizada às 7h38)
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