Grupo de defesa de Kallas ‘cancelado’ após pressão dos Estados-membros

O grupo reuniria antigos responsáveis políticos e militares para apresentar propostas sobre a defesa da UE, mas algumas capitais disseram que “não era o caminho certo a seguir neste momento”.

A alta representante da União Europeia (UE) para os Negócios Estrangeiros e Política de Segurança, Kaja Kallas, cancelou o lançamento de um novo grupo de alto nível dedicado à defesa europeia, depois de enfrentar oposição de vários Estados-membros. O órgão previa reunir antigos líderes políticos e militares para refletir sobre o futuro da defesa europeia.

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A apresentação estava prevista para acontecer em Bruxelas, na Biblioteca Solvay, na passada segunda-feira, e deveria reunir cerca de 150 pessoas de instituições da UE, centros de estudos, universidades e da NATO.

“Alguns Estados-membros consideraram que este não era o caminho certo a seguir neste momento. Após algumas discussões com ministros, decidimos não prosseguir com a iniciativa e estamos a procurar novas formas de interação com os Estados-membros”, referiu um responsável europeu, citado pelo Politico.

Um diplomata italiano revelou à publicação que vários ministros manifestaram “fortes preocupações” a Kaja Kallas, contestando tanto o método como o conteúdo da iniciativa.

Outro diplomata vincou que a Itália “liderou a campanha” contra a iniciativa. O ministro da Defesa italiano, Guido Crosetto, ficou “muito incomodado” por a sua antecessora, Roberta Pinotti, ter sido selecionada para o grupo sem o seu conhecimento, disse o funcionário europeu ao mesmo jornal.

Apesar de, na semana passada, a antiga primeira-ministra da Estónia não ter divulgado os nomes dos elementos do grupo, três diplomatas disseram ao Politico que a comissão deveria ser presidida pelo antigo secretário-geral da NATO, Anders Fogh Rasmussen, e incluir antigos ministros da Defesa, como o estoniano Jüri Luik e a francesa Florence Parly. Também eram esperados representantes da Alemanha, do Reino Unido e da Ucrânia.

A experiência adquirida pela Ucrânia durante a guerra com a Rússia era esperada ter um papel relevante nesse exercício. Kallas disse que o novo grupo deveria recorrer à “extensa experiência operacional da Ucrânia” para desafiar formas convencionais de pensar sobre Defesa.

A decisão surge num contexto de disputa sobre o futuro do Serviço Europeu de Ação Externa (EEAS). A chefe da Diplomacia da UE está a contestar planos franco-alemães para reformar o serviço diplomático da União, que os seus aliados receiam poder transferir mais controlo sobre a política externa para a Comissão Europeia.

Alguns diplomatas tinham também alertado que o novo grupo poderia sobrepor-se ao trabalho do comissário europeu da Defesa, Andrius Kubilius, que mantém contactos regulares com antigos responsáveis e grupos de reflexão.

O recuo representa mais um contratempo para Kallas, numa altura em que a responsável procura reforçar o papel da diplomacia europeia nas questões de segurança e defesa.

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