“Não é problema exclusivo do Douro”. ANDOVI pede “resposta nacional” à crise vitivinícola

Associação saúda apoio do Governo aos viticultores do Douro, mas alerta que as dificuldades de escoamento e a quebra dos preços das uvas afetam todas as regiões do país.

A Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas (ANDOVI) considera “positivo e necessário” o apoio anunciado pelo Governo para os viticultores do Douro, mas defende que a medida deve ser apenas “o primeiro passo” de uma resposta nacional à crise que atravessa o setor.

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“Não é problema exclusivo do Douro”, sublinha a associação, que representa as 14 regiões vitivinícolas de Portugal continental, Madeira e Açores. A ANDOVI alerta que “todas as regiões vitivinícolas portuguesas enfrentam dificuldades semelhantes”, nomeadamente no escoamento da produção e da quebra dos preços das uvas.

Segundo a associação, esta é uma realidade para a qual tem vindo a alertar o Governo. “Os atuais desequilíbrios entre a oferta e a procura não constituem um problema exclusivo do Douro“, reforça a ANDOVI, sublinhando que continuam a chegar informações sobre dificuldades no escoamento das uvas em diferentes regiões do país.

A preocupação surge numa altura em que a vindima deste ano começou mais cedo e há já regiões a concluir a campanha. Para a ANDOVI, os sinais que chegam do terreno confirmam a dimensão nacional do problema.

“A Associação espera, por isso, que este apoio constitua apenas um primeiro passo e que seja rapidamente alargado às restantes regiões vitivinícolas do país”, afirma.

A ANDOVI chama ainda a atenção para a origem dos recursos que vão financiar o apoio anunciado para o Douro, defendendo que este deverá ser financiado através de recursos públicos, nomeadamente do Orçamento do Estado. “Sendo uma resposta a uma crise que afeta transversalmente o setor vitivinícola nacional, importa garantir que as outras regiões não fiquem excluídas dos mecanismos de apoio”, defende.

Sendo uma resposta a uma crise que afeta transversalmente o setor vitivinícola nacional, importa garantir que as outras regiões não fiquem excluídas dos mecanismos de apoio.

Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas

Nesse sentido, a associação reclama “a extensão dos apoios diretos aos viticultores de todas as regiões com Denominação de Origem e Indicação Geográfica afetadas por dificuldades de escoamento da produção”.

A ANDOVI entende, contudo, que a resposta não pode limitar-se a apoios de emergência. A associação pede também “o reforço das verbas destinadas à promoção do vinho português”, através do reforço das parcerias com as Comissões Vitivinícolas Regionais, tanto no mercado nacional como nos mercados externos.

A associação considera igualmente necessária uma intervenção de médio e longo prazo para corrigir os problemas estruturais do setor. Entre as medidas propostas está “uma melhor regulação e acompanhamento do mercado dos vinhos de mesa”, tanto nacionais como importados, bem como um maior ajustamento entre produção e consumo e uma melhor adequação da produção à evolução da procura.

A ANDOVI chama ainda a atenção para “o atual desequilíbrio entre vinhos tintos e brancos” e defende a redução da pressão concorrencial resultante do crescimento das importações.

A crise que atualmente afeta a vitivinicultura portuguesa exige uma resposta nacional, coordenada e estrutural.

Associação Nacional das Denominações de Origem Vitivinícolas

“A crise que atualmente afeta a vitivinicultura portuguesa exige uma resposta nacional, coordenada e estrutural”, conclui a associação. Para a ANDOVI, o apoio ao Douro “não pode ser a única resposta a um problema que se estende a todo o território vitivinícola nacional”.

O Governo anunciou na semana passada um apoio de 12 milhões de euros destinado aos viticultores da Região Demarcada do Douro que não conseguem escoar as uvas desta vindima, como resposta à crise que afeta o setor.

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