Santos Pereira alerta para impacto da IA no ensino após alunos voltarem a piorar no PISA

Governador do BdP assinala que próximos anos serão "cruciais" para "reverter as tendências preocupantes" que se verificam no ensino. Segundo a OCDE, o desempenho dos alunos já é inferior ao de 2000.

Álvaro Santos Pereira deixou um alerta sobre o impacto da Inteligência Artificial (IA) no ensino, sublinhando que as tendências recentes devem gerar preocupação e levar os decisores políticos a tomar medidas. Este aviso foi feito pelo governador do Banco de Portugal no dia em que a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) lançou a edição deste ano do PISA, que mostra que o desempenho dos alunos (incluindo os portugueses) voltou a deteriorar-se, especialmente na Matemática e na Leitura.

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“Os resultados mais recentes do PISA já são conhecidos e não são muito encorajadores. Depois de uma quebra acentuada do desempenho dos alunos em 2022, verifica-se agora uma nova descida significativa das pontuações na maioria dos países“, começa por salientar o também ex-ministro da Economia e do Emprego, numa publicação na rede social Linkedin.

“A maior quebra de desempenho ocorreu na Leitura. Talvez não seja particularmente surpreendente, considerando que as ‘distrações digitais’ se tornaram omnipresentes“, comenta Santos Pereira.

O governador do Banco de Portugal reconhece que estas tendências não são propriamente uma novidade — isto é, já se vinham evidenciado ainda antes da pandemia e da difusão da IA –, mas avisa que, se nada for feito, a tecnologia provavelmente irá reforçá-las.

“Estas são tendências que nos devem preocupar a todos e servir de apelo à ação dos decisores políticos. Os próximos anos serão cruciais para reverter estas tendências preocupantes“, assinala o economista.

De acordo com a edição deste ano do PISA, na Matemática e na Leitura, a média dos alunos portugueses já está mesmo abaixo do observado no início do milénio, tendo sido revertidos os ganhos acumulados nas últimas duas décadas. Na Ciência, a quebra foi menos acentuada, mas é preciso recuar, ainda assim, a 2006 para encontrar um resultado pior.

Portugal não está, porém, sozinho nesse cenário. O desempenho dos estudantes nos vários países da OCDE voltou a piorar e atingiu os níveis mais baixos alguma vez registados em Matemática e na Leitura. Hoje, um em cada cinco alunos de 15 anos tem um baixo desempenho (é um low performer) não só nesses dois domínios, mas também em Ciências.

A própria OCDE questiona, no PISA, o que poderá justificar esta degradação dos desempenhos educativos. Os dados não dão resposta a essa pergunta, sublinha a organização, mas “muitos” argumentam que a pandemia e o encerramento de muitas escolas não podem ser ignorados.

Esse não é, porém, o único fator. Conforme frisa Santos Pereira, o desempenho já estava em queda antes da crise sanitária, o que mostra que há problemas estruturais a resolver. “Olhando para o futuro, o desafio para os decisores políticos não consiste simplesmente em recuperar o terreno perdido, mas em garantir que as escolas respondem às exigências de um mundo em rápida transformação. Como demonstra o PISA, esta não é uma tarefa fácil”, destaca a OCDE.

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