Trump ameaça travar vendas de aviões da canadiana Bombardier nos EUA

  • Lusa
  • 8 Setembro 2026

"Se querem o nosso mercado, têm de fabricar aqui e deixar de tratar a América como um porquinho mealheiro", referiu líder americano antes da entrada em vigor das novas tarifas canadianas.

Donald Trump ameaçou travar as vendas de aviões da canadiana Bombardier, horas antes da entrada em vigor das tarifas canadianas contra vários produtos norte-americanos, no quadro do conflito comercial entre os dois vizinhos.

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“Acabaram-se as vendas da Bombardier nos Estados Unidos”, anunciou o Presidente norte-americano na sua rede social Truth Social, sem especificar como tenciona alcançar o resultado. “Se querem o nosso mercado, têm de fabricar aqui e deixar de tratar a América como um porquinho mealheiro”, acrescentou.

Em janeiro, Trump já tinha ameaçado retirar a certificação de aviões fabricados no Canadá, em particular dos jatos da Bombardier, e impor direitos aduaneiros de “50% sobre todas as aeronaves vendidas nos Estados Unidos”, em alegada retaliação contra o facto de Otava estar a “recusar” certificações a aviões norte-americanos.

A Bombardier reagiu, recordando que os seus aviões “geram dezenas de milhares de postos de trabalho nos Estados Unidos, graças à crescente presença da empresa no país, bem como à sua cadeia de abastecimento, composta por cerca de 2.800 empresas americanas espalhadas por 47 estados”.

“Os aviões da Bombardier são construídos a partir de componentes fabricados nos Estados Unidos, tais como motores, aviónica e muitos outros sistemas essenciais fornecidos por grandes empresas americanas”, acrescentou o fabricante num comunicado, considerando que “a indústria aeroespacial americana é claramente beneficiária em termos de comércio e exportações”.

Desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca, em janeiro de 2025, o Canadá tem estado na linha da frente da guerra comercial lançada pelo Presidente republicano, que reitera a intenção de fazer do vizinho do norte o “51º Estado” dos Estados Unidos.

Algumas horas antes das ameaças contra a Bombardier, Trump publicou na Truth Social um mapa em que a bandeira norte-americana cobre toda a América do Norte, o México e as Caraíbas, bem como a Gronelândia — território autónomo dinamarquês que o chefe de Estado diz querer anexar aos Estados Unidos — e a Islândia.

Os direitos aduaneiros canadianos de 15, 25 ou 50%, que devem entrar hoje em vigor, afetam cerca de 20 mil milhões de dólares em produtos norte-americanos, desde o aço aos produtos lácteos, passando pela eletrónica e pela pasta de papel.

O montante corresponde, segundo Otava, ao dos produtos canadianos alvo, desde 22 de agosto, de sobretaxas norte-americanas de 50%.

O conflito comercial entre os dois países vizinhos atingiu um nível sem precedentes desde que, em 21 de agosto, o primeiro-ministro canadiano Mark Carney rompeu as negociações com a Casa Branca.

Carney, antigo governador do banco central canadiano, acusou os Estados Unidos de pretenderem impor um acordo “injusto” e de terem, em última análise, como objetivo transformar o Canadá numa “filial” e “destruir” a sua indústria, nomeadamente a automóvel.

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