Ainda há 16 estradas fechadas devido ao mau tempo de fevereiro. Linha da Beira Baixa reabre este mês

Das 336 estradas que ficaram intransitáveis devido ao comboio de tempestades de final de janeiro, estão 16 por reabrir. Linha da Beira Baixa reabre este mês e a do Oeste apenas em 2027.

A quase totalidade das estradas cortadas pelas tempestades do final de janeiro já foram reabertas. Na ferrovia, a Linha da Beira baixa reabre a 20 de setembro e a linha do Oeste em todos os troços em janeiro do próximo ano, revelou o secretário de Estado das Infraestruturas no Parlamento.

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O ministro das infraestruturas e Habitação e a sua equipa foram ouvidos esta quarta-feira, na Comissão Eventual para a Resiliência Nacional, Prevenção de Catástrofes Naturais e Acompanhamento do Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR).

Miguel Pinto Luz fez um balanço do estado das estradas e ferrovias afetadas pelo mau tempo. Das 336 estradas com cortes totais, 16 continuam encerradas e quatro foram abertas com condicionamentos. “Em muitas destas situações é impossível, pura e simplesmente, que a estrada volte a passar pela sua localização anterior. Todos vimos as imagens da EN-232 em Manteigas, troços de estrada que pura e simplesmente desapareceram. Ou as imagens das crateras gigantes na EN8 aqui no Oeste”, justificou Miguel Pinto Luz, que foi confrontado pelos deputados com as estradas em por reabrir, oito meses depois das tempestades.

Na ferrovia, onde se registaram 681 ocorrências, há ainda duas linhas interrompidas, mas já datas para a reposição total da circulação. “A linha da Beira baixa reabre a 20 de setembro e a linha do Oeste irá reabrir em todos os troços em janeiro do próximo ano“, afirmou o secretário de Estado das infraestruturas, Hugo Espírito. Sobre esta última, disse que “partes da linha ficaram no ar em centenas de metros”.

O governante referiu que a Infraestruturas de Portugal tem um orçamento total de 490 milhões para a reparação das estruturas afetadas pelo comboio de tempestades, tendo já sido contratados 221 milhões para as estradas e 78 milhões para a ferrovia. “O restante será nos próximos meses. Vai ser 100% executado”, garantiu Hugo Espírito Santo.

Nas telecomunicações, “dois dos três operadores já atingiram níveis de serviço normais enquanto o terceiro, a Meo, apresentava a 1 de setembro um registo de 323 avarias. Ou seja, mais de 99% das ocorrências foram resolvidas”, detalhou Miguel Pinto Luz. Realçou, no entanto, que ´”continuam a existir cerca de 16 mil postes por repor e quilómetros de cabos junto ao solo, um processo que está longe de estar terminado, ainda que a prestação dos serviços suportados nessas infraestruturas já se encontre quase totalmente restabelecido”. A reposição definitiva “só deverá estar concluída no 1.º semestre de 2027”.

A secretária de Estado da Habitação, Patrícia Gonçalves Costa, fez um balanço dos apoios para a reconstrução das casas afetadas pelo mau tempo. Das 35.908 candidaturas submetidas, 82% foram analisadas, das quais 93% estão pagas, num total de “mais de 80 milhões pagos às famílias”. O apoio médio do Estado é de 4.200 euros, acima dos 3.700 euros do valor médio pago nos seguros.

Anunciado pelo Governo em fevereiro na sequência das fortes tempestades que assolaram a região centro, o PTRR – Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência foi aprovado em junho de 2026 e prevê um investimento total de 22,6 mil milhões de euros, em grande parte financiados pelo Orçamento do Estado, dinheiro privado e fundos europeus.

O plano inclui a reconstrução de casas atingidas pelas tempestades, apoios para habitação e infraestruturas em territórios de baixa densidade, prevenção do risco sísmico, um sistema nacional e alojamento de emergência. O programa cobre ainda a reconstrução de infraestruturas danificadas pelas tempestades e uma Estratégia Nacional para as Infraestruturas Críticas.

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