Plano de Bessent desilude e juros dos EUA disparam para máximos de 2023
Wall Street esperava uma recompra maior de dívida pública norte-americana. A resposta do Tesouro, mais tímida do que o previsto, fez os juros dispararem para os níveis mais altos em três anos.
Os juros das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos subiram para perto de 4,85% esta quarta-feira, o valor mais elevado desde 2023, após o plano de recompra de dívida anunciado por Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, ter ficado abaixo das expectativas do mercado.
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A decisão do Tesouro norte-americano agravou a pressão sobre a dívida pública dos EUA, num dia também marcado pela escalada do petróleo acima dos 100 dólares por barril.
O Departamento do Tesouro vai recomprar até 6 mil milhões de dólares em obrigações com maturidades entre 10 e 20 anos numa operação a realizar-se na quinta-feira. O montante representa o triplo das compras realizadas nos últimos meses, mas ficou abaixo dos 8 mil milhões a 10 mil milhões de dólares que vários analistas de Wall Street antecipavam.
Os mercados de futuros já atribuem 59% de probabilidade a uma subida das Fed Funds por parte da Reserva Federal norte-americana na próxima reunião a decorrer a 15 e 16 de setembro.
Em agosto, Bessent tinha prometido pelo menos duplicar as recompras de dívida de longo prazo para 4 mil milhões de dólares por operação. Ao elevar a fasquia, aumentou também a expectativa de uma intervenção mais forte para travar a venda de obrigações e baixar os juros. “Criou expectativas muito elevadas”, afirmou Leah Traub, gestora de obrigações da Lord Abbett, ao The Wall Street Journal.
A taxa das obrigações a 10 anos aliviou depois de um leilão com procura sólida, fixando-se perto de 4,84%. Ainda assim, a reação expõe as dúvidas dos investidores sobre a eficácia do programa de recompra, revelando que estas operações são sobretudo “cosméticas” e que a verdadeira questão que o Tesouro precisa de resolver é a trajetória da dívida e do défice públicos.
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A subida das yields não aconteceu isolada. O petróleo Brent superou esta quarta-feira os 100 dólares por barril, máximos de seis semanas, depois de uma nova vaga de ataques no Médio Oriente, com os Estados Unidos a destruírem cinco petroleiros iranianos no Golfo de Omã e junto a Kharg Island.
Este choque energético alimenta receios de que a inflação volte a acelerar, precisamente na semana em que são conhecidos os dados de preços ao produtor e ao consumidor que vão pesar na decisão da Reserva Federal, reunida a 15 e 16 de setembro. Os mercados de futuros já atribuem 59% de probabilidade a uma subida de juros por parte do banco central norte-americano.
Este cenário de dívida cara e petróleo caro coloca Bessent numa posição delicada. O secretário do Tesouro tem repetido, incluindo numa intervenção separada sobre o yen japonês, que tem “informação assimétrica” e que o mercado pode “apostar contra” ele se quiser, numa tentativa de projetar controlo sobre a situação.
Mas a reação desta quarta-feira mostra que, quando as expectativas são elevadas, qualquer entrega abaixo do prometido tem custos imediatos nos mercados, com os principais índices acionistas norte-americanas a somarem a terceira sessão consecutiva de perdas.
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