Portugal levanta 1,6 mil milhões com custo da dívida a disparar
IGCP voltou das férias em plena turbulência nos mercados obrigacionistas para financiar o Estado em 1,6 mil milhões de euros e viu juros dispararem em relação a anteriores leilões.
Portugal levantou esta quarta-feira mais de 1,6 mil milhões de euros junto de investidores no regresso após o verão e com os mercados em plena tensão global que se fez refletir num agravamento significativo do custo da dívida.
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Foram reabertas três linhas de Obrigações do Tesouro e nos prazos mais alargados de 8 e 9 anos os investidores exigiram uma taxa de juro superior a 3,5%, enquanto nos títulos a vencerem-se em 2030 a taxa se fixou acima dos 3%.
A subida dos custos com esta operação era expectável devido à turbulência que tem sacudido os mercados a nível mundial nas últimas semanas e atirado os juros da dívida de vários governos para os valores mais altos em várias décadas.
A escalada na guerra no Irão está a provocar uma nova subida nos preços da energia e os riscos de uma espiral inflacionista levam os investidores a anteciparem-se ao aperto financeiro dos bancos centrais. De resto, o Banco Central Europeu (BCE) já subiu as suas taxas em junho e voltará a fazê-lo já esta quinta-feira.
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Juro a 9 anos ao nível mais alto desde 2017
Para os governos este cenário de instabilidade traduz-se num agravamento dos custos de financiamento. E Portugal sentiu agora isso na pele.
Para se financiar em 602 milhões de euros em obrigações a vencerem em junho de 2035 (9 anos), o IGCP pagou uma taxa de juro de 3,632%, mais 30 pontos base em relação ao leilão realizado em junho. Foi a taxa de juro mais elevada desde março de 2017, quando Portugal pagou uma taxa de 3,95%.
Na linha a vencer em 2034, um financiamento de 629 milhões de euros registou uma taxa de 3,559% — prazo de 8 anos não é muito habitual.
Nos títulos com maturidade em fevereiro de 2030, a agência liderada por Pedro Cabeços pagou uma taxa de 3,122% por um ‘empréstimo’ de 400 milhões, sendo que em maio os investidores exigiram uma taxa de 2,834%.
80% das necessidades já asseguradas
No total, o IGCP financiou-se em 1,629 mil milhões de euros, um montante que ficou num nível intermédio em relação ao intervalo indicativo, entre 1,5 mil milhões e 1,75 mil milhões.
E com esta operação já terá assegurado praticamente 80% das necessidades de financiamento do Estado para este ano, quando se avança para o último trimestre marcado por uma forte incerteza.
Para o próximo ano o Governo já aponta uma subida do serviço da dívida na ordem dos 776 milhões de euros.
(notícia atualizada às 11h26)
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