Portugueses estão preocupados com a economia (e querem uma casa com mais arrumação para “refúgio”)
Ikea divulgou o estudo 'Life At Home' e concluiu que os portugueses veem a casa como um "santuário" para escapar ao mundo, mas querem mais espaço. Tenham 50m2 ou 200m2, queixam-se de pouca arrumação.
Para a maioria dos portugueses, chegar a casa é sinónimo de conforto, segurança e escape do contexto geopolítico e macroeconómico, mas quase todos continuam a sentir que falta alguma coisa nas suas divisões: mais espaços livres e de arrumação. Estas foram algumas das conclusões do mais recente estudo da Ikea sobre como as transformações sociais estão a mudar a nossa relação com a casa, o “Life at Home Report 2026”.
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Neste relatório anual, 47% dos portugueses inquiridos apontaram o estado da economia como a sua principal preocupação (acima do rendimento familiar e da saúde), enquanto mais de um terço (38%) fizeram referência às finanças e ao rendimento disponível do agregado quando questionados sobre as apreensões da vida em casa.
“Num contexto de vida em constante mudança, a casa é o ponto de refúgio e de referência. Cada vez mais, é onde os portugueses procuram estabilidade, conforto e segurança. Mas, este ano, o que todos nos disseram era que precisavam de mais espaço, que não tinham arrumação. A pessoa com uma casa de 50 metros quadrados (m2) e a pessoa com uma casa de 200 m2 queixam-se ambas do mesmo: não têm espaço”, disse Cláudia Domingues, diretora de comunicação da Ikea Portugal, em conferência de imprensa, que se realizou na loja da retalhista em Alfragide.
Nos extensos corredores do Ikea em Alfragide, na Amadora, Ana Tristão e o filho André Barbosa, que se prepara para iniciar um novo ano letivo, estão em busca de separadores e caixas para arrumar a casa e prepará-la para a chegada de novos materiais escolares. “Procuro, essencialmente, artigos de arrumação. Gosto do que fazem com os armários. Também têm muita diversidade nas cozinhas e camas e uma boa relação qualidade-preço. Neste pós-verão, é tempo de organizar”, afirmou ao ECO a matriarca.
O mesmo se passa com João Prazeres e Pedro Lima. “Nesta altura do ano, é sempre preciso virmos buscar arrumação para aguardar o que temos do verão e também guardar aquilo que vamos começar a comprar para o Halloween e para o Natal. Temos de aproveitar ao máximo o espaço que temos e pensar mais na vertical, daí procurarmos estes artigos mais baratos e à disposição de todos”, referiu a dupla, corroborando os dados que foram apresentados.
Aliás, ao aperceber-se deste movimento, a Ikea decidiu baixar os preços dos itens de arrumação – absorvendo esse valor nas margens de negócio – porque pretende dar resposta a esta necessidade e ensinar os clientes “a usar melhor os metros quadrados e cúbicos, porque a arrumação não é só funcional, mas também emocional”, como explicou Cláudia Domingues.

Globalmente, quando questionados sobre os atributos da casa ideal, os respondentes ao inquérito da Ikea assinalaram um trio que resume, precisamente, na palavra espaço: espaço para relaxar e descontrair (56%), espaço para ser a própria pessoa/true self (39%) e espaço para hobbies e atividades (38%).
E, no cenário atual, qual é a área mais difícil de lidar em casa? Para 35% dos portugueses, são os roupeiros e a seguir a cozinha, concluiu o Life at Home Report 2026. “Porquê? Andamos à pressa todos os dias e falta sempre espaço. Mais arrumação significa mais tempo livre, até porque 37% dizem que perdem tempo à procura de coisas (o telemóvel, a carteira, ou aquela t-shirt) e 46% indicam falta de open spaces para viverem a vida que querem em casa e fazer os seus hobbies”, esclareceu Ruben Frank, manager de mobiliário e design de retalho na Ikea Portugal.
“Lessis more“… Na Suécia
Mas até mesmo o conceito de arrumação e organização varia entre as pessoas: para umas é ter tudo visível e à mão e para outras é tudo dentro das gavetas, como explicou Ana Teresa Neta, responsável de design de interiores na Ikea Portugal. Por cá, o “less is more” está mesmo a desaparecer. A designer detalha que a maioria (62%) dos portugueses querem uma casa com memórias – um “equilíbrio entre organização e mostrar quem somos, o ADN e a história de vida” – e 71% sente-se numa “espécie de santuário” dentro das suas paredes. Ou seja, quadros, molduras ou até os naperons oferecidos pelo avô Alfredo. (O nome não é ao acaso, uma vez que a multinacional sueca estudou famílias reais em Portugal para construir as novas gamas de mobiliário.)
Depois de uma pandemia de Covid-19 e cada vez mais conectado com quem lá mora, o lar português parece pronto para abandonar o minimalismo que tão bem caracteriza a Suécia, a casa-mãe da maior retalhista de móveis do mundo.
A nossa sociedade está preocupada com o futuro. Comparativamente com outros países, em Portugal, a economia do país é um dos tópicos de maior preocupação.
No que diz respeito à sustentabilidade, à semelhança de anos anteriores, Portugal destaca-se pela positiva entre os outros países com 93% dos participantes neste estudo a indicarem que aplicam medidas relacionadas com o ambiente em cada. “Perceberam que as alterações climáticas não são um filme de ficção científica e sabem que têm de agir, mas ainda precisam melhor de saber como fazê-lo – e de forma económica”, adiantou Ruben Frank, salientando que a perceção sobre “medidas amigas do ambiente” varia bastante, não significando necessariamente fazer reciclagem, reutilizar ou escolher produtos reciclados nas prateleiras do supermercado. Para os portugueses, basta ir apagando as luzes acesas, reaproveitar água e não desperdiçar comida para poderem dizer que “a sustentabilidade contribui para a casa ideal”.
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