“Portugueses já se habituaram nos últimos dois anos a gerir” redução do IRS, diz Paula Franco

O Governo prepara-se para reduzir novamente o IRS, ajustando as tabelas de retenção. Bastonária da OCC elogia a medida e espera que os seus efeitos já não provoquem estranheza junto dos contribuintes.

ECO Fast
  • O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou uma nova descida do IRS até ao sexto escalão, uma medida que gera expectativas positivas entre os contabilistas, mas que exigirá atenção dos contribuintes.
  • Paula Franco, bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, alerta que a redução das retenções na fonte poderá impactar o acerto final com o Estado, como já ocorreu em anos anteriores.
  • A adaptação dos contabilistas a estas mudanças é essencial, pois requer ajustes nos softwares e esclarecimentos aos trabalhadores sobre as variações nos valores recebidos mensalmente.
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O primeiro-ministro, Luís Montenegro, anunciou uma nova descida do IRS até ao sexto escalão, uma medida que Paula Franco, bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados (OCC), considera “positiva”, mas que obrigará os portugueses a fazerem novamente contas. À semelhança do que aconteceu noutros anos, o dinheiro extra no bolso terá impacto no acerto final com o Estado.

“Uma medida de descida de impostos é sempre positiva. Agora, temos de ter cuidado com a redução das retenções na fonte, que vai existir”, refere Paula Franco, bastonária da OCC, em declarações ao EContas. “Mas acho que os portugueses já se habituaram nos últimos dois anos a gerir esta questão”, realça, recordando que tanto em 2025 como em 2024 foi adotada a mesma medida.

“Eu espero que não [haja surpresa na hora de acertar contas com o Estado]. Os portugueses já perceberam que se tiverem mais dinheiro no bolso num mês, depois nas contas finais com o Estado isso será tido em conta”, nota a bastonária, que já tinha defendido, em entrevista ao ECO em abril, uma nova descida do IRS este ano.

Com as alterações à retenção na fonte anunciadas nos últimos anos, muitos contribuintes viram diminuir o valor do reembolso na hora de submeter a declaração anual de rendimentos, sendo que outros que habitualmente recebiam passaram a pagar. E quem já pagava, pagou ainda mais.

Paula Franco deixa uma dica para evitar uma surpresa aquando da entrega do IRS deste ano, que acontecerá a partir de abril de 2027: “Se os portugueses tiveram reembolsos ou receberam menos reembolsos [nos outros anos] e querem que não seja assim [no próximo ano], podem sempre pedir à entidade patronal para alterar a retenção na fonte“.

“Neste momento [os portugueses] já têm os elementos entre mãos, [sabem] o que aconteceu, para que não cause tanta estranheza como causava”, atira.

Contabilistas mais preparados

Se para as famílias a descida do IRS é uma boa notícia, para os contabilistas obriga a mais algum trabalho. Além de ser necessário “ajustar os softwares a meio do ano”, é preciso “explicar aos trabalhadores porque é que num mês recebem mais e nos outros voltam a receber menos”. “Às vezes é o mais difícil de perceber e que nos dá mais algum trabalho”, refere Paula Franco.

A bastonária diz, porém, que tal como esta descida não é uma novidade para as famílias e empresas, também os contabilistas já estão “mais preparados” para se ajustarem a estas alterações.

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