Preço do Brent toca os 100 dólares por barril após nova troca de ataques no Médio Oriente

Barril de referência para as importações europeias atingiu os 100 dólares pela primeira vez desde 24 de julho.

O preço do petróleo Brent, referência para as importações europeias, ultrapassou por breves momentos os 100 dólares por barril na manhã desta quarta-feira, pela primeira vez desde 24 de julho, à medida que o conflito no Médio Oriente se intensifica e alimenta as crescentes preocupações quanto aos fluxos de crude provenientes da região.

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Cerca das 8h57 (hora de Lisboa), a cotação do Brent segue a negociar nos 99,83 dólares por barril, uma subida de 1,94%. O norte-americano West Texas Intermediate (WTI) avança 1,50%, para 94,42 dólares por barril.

Desde o início de agosto, os preços do Brent subiram cerca de 25%, com as esperanças de uma resolução permanente para o conflito entre os EUA e o Irão, que teve início a 28 de fevereiro, a desvanecerem-se.

Aliás, a guerra no Médio Oriente tem-se intensificado nos últimos dias, com os houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, a lançarem ataques contra várias cidades sauditas, envolvendo, assim, ainda mais um aliado dos Estados Unidos no conflito.

Os ataques houthis podem ameaçar os embarques de crude através do Mar Vermelho, que tem sido uma rota alternativa fundamental ao Estreito de Ormuz, onde os fluxos de crude foram severamente reduzidos desde o início da guerra.

Numa escalada acentuada do conflito que já dura há seis meses, as forças norte-americanas atacaram vários petroleiros iranianos e o Irão teve como alvo uma base dos EUA na Jordânia e atacou navios.

“Está a ganhar força uma dinâmica de alta nos mercados do petróleo bruto, à medida que o petróleo Brent se aproxima da marca dos 100 dólares por barril”, afirmou Priyanka Sachdeva, diretora de análises de mercado da Phillip ⁠Nova, citada pela Reuters.

Os últimos ataques ameaçam agravar as perturbações no abastecimento de petróleo do Médio Oriente, já sob pressão devido a ataques a infraestruturas energéticas regionais e a rotas marítimas fundamentais.

Embora a Arábia Saudita tenha desviado algumas exportações do Estreito de Ormuz, quaisquer ataques prolongados contra o reino poderão complicar os esforços para manter o fluxo de crude para os mercados globais, segundo os analistas.

“Os ataques do Irão às instalações energéticas sauditas e a subsequente destruição de cinco petroleiros iranianos suscitaram preocupações quanto a uma nova interrupção prolongada no abastecimento de petróleo“, afirmaram os analistas do banco OCBC numa nota.

Num comentário enviado ao ECO, Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, assinala “os mercados começam a descontar um prolongamento do conflito e um risco crescente de perturbações no abastecimento”, apontando que “os recentes ataques a petroleiros poderão reduzir as transferências de petróleo entre navios no Golfo de Omã, uma solução que tem sido essencial para manter o crude em circulação e limitar a subida dos preços”.

“Este movimento ganha ainda mais importância numa semana marcada pela decisão do Banco Central Europeu e pela divulgação da inflação norte-americana. O BCE deverá subir amanhã a taxa de depósito em 25 pontos base, para 2,50%, numa decisão já amplamente antecipada. Na sexta-feira, espera-se que o IPC dos Estados Unidos abrande ligeiramente de 3,4% para 3,3%”, acrescenta o analista.

Assim, conclui, “uma leitura acima do esperado, combinada com o petróleo acima dos 100 dólares, reforçaria a possibilidade de uma subida dos juros pela Fed na próxima semana e poderia exercer nova pressão sobre as obrigações e os ativos de risco“.

(Notícia atualizada às 10h41 com o comentário de Henrique Valente)

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