BCE aumenta taxas de juro pela segunda vez este ano para travar inflação. Taxa de depósito sobe para 2,50%

Sem surpresa, a instituição liderada por Christine Lagarde aumentou em 25 pontos base o custo do euro. Medida responde à aceleração dos preços da energia e afeta quem tem crédito bancário.

O Banco Central Europeu (BCE) aumentou as taxas de juro em 25 pontos base pela segunda vez este ano. Uma medida desenhada para responder à aceleração dos preços da energia provocada pela guerra no Médio Oriente e que irá ter impacto nas contas dos portugueses, especialmente os que têm crédito à habitação.

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A decisão desta quinta-feira, que era amplamente esperada por economistas e investidores, eleva a taxa de Facilidade Permanente de Depósito para 2,50% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez para 2,65% e 2,90%, respetivamente.

“O conflito no Médio Oriente continua a gerar pressões inflacionistas, e prevê-se que a inflação se mantenha bem acima da meta durante um período prolongado“, afirmou o BCE, em comunicado emitido após a reunião do Conselho, em Berlim. “A decisão de hoje sublinha o compromisso do Conselho de Administração de definir a política monetária de forma a garantir que a inflação se estabilize na meta de 2% a médio prazo”.

A guerra que opõe Estados Unidos e Israel ao Irão tem feito disparar os preços do petróleo e do gás, impulsionando a inflação na Zona Euro. A Europa está particularmente exposta a choques energéticos, pois depende de importações para garantir o fornecimento.

O staff do BCE esta quinta-feira manteve inalterada a projeção para a subida dos preços na Zona Euro para este ano, mas reviu em alta as dos dois seguintes, prevendo agora que a inflação fique nos 3% este ano, antes de descer para 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028. As anteriores projeções, divulgadas em junho, apontavam para uma taxa de inflação, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), de 3% em 2026, 2,3% em 2027 e 2% em 2028.

“As perspetivas continuam a ser altamente incertas, com riscos de subida para a inflação e de descida para o crescimento económico“, alertou. Ainda assim, no cenário base o BCE espera agora crescimento económico de 0,9% para 2026, 1,4% para 2027 e 1,5% para 2028. “Trata-se de uma revisão em alta tanto para 2026 como para 2027, refletindo principalmente a resiliência superior ao esperado da economia da área do euro”, adiantou.

Com a decisão de hoje, o Conselho do BCE diz que continua bem posicionado para fazer face à incerteza causada pelo conflito e “adotará uma abordagem dependente dos dados e reunião a reunião para determinar a orientação adequada da política monetária”.

“Em particular, as decisões do Conselho do BCE em matéria de taxas de juro basear-se-ão na sua avaliação das perspetivas de inflação e dos riscos que as rodeiam, à luz dos dados económicos e financeiros que forem surgindo, bem como da dinâmica da inflação subjacente e da força da transmissão da política monetária”, referiu, reiterando o foco na dependência da dados expressa múltiplas vezes por Lagarde. “O Conselho do BCE não se compromete antecipadamente com uma trajetória específica das taxas de juro”

(Notícia atualizada às 13h37 com mais informação)

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