Contratações vão acelerar. 44% das empresas querem aumentar equipas no próximo trimestre

Projeção para a criação líquida de emprego em Portugal situa-se em 32% no último trimestre do ano, de acordo com o ManpowerGroup. Representa uma melhoria tanto em cadeia, como em termos homólogos.

Mais de quatro em cada dez empresas portuguesas querem aumentar as suas equipas no próximo trimestre, com a indústria, a construção e o imobiliário a liderarem as perspetivas de contratação. A estimativa é da consultora de recursos humanos ManpowerGroup, que sublinha que, depois de um abrandamento entre julho e setembro, os empregadores estão a contar agora com uma recuperação do mercado de trabalho nacional.

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“O aliviar das tensões globais que se observou em julho, a necessidade de concretizar a transformação tecnológicas por parte das empresas, bem como a resiliência do crescimento económico em Portugal, com um maior dinamismo das exportações e valores sólidos no consumo das famílias e no investimento, refletem-se num maior otimismo dos empregadores relativamente à criação de emprego no final do ano“, sublinha o ManpowerGroup, numa nota enviada às redações.

Em concreto, 44% dos empregadores ouvidos no âmbito do “Employment Outlook Survey” planeiam aumentar as suas equipas entre outubro e dezembro. Por outro lado, 12% estão a antecipar reduções de pessoal, e 44% preveem manter o número de trabalhadores inalterado, como mostra o gráfico abaixo.

Considerando as intenções de contratar e de reduzir o pessoal, o ManpowerGroup avança com uma projeção para a criação líquida de emprego de 32% para os últimos três meses do ano, o que representa um aumento de 14 pontos face ao trimestre anterior e de 19 pontos relativamente ao período homólogo de 2025.

“Vivemos um momento em que forças contraditórias impactam o mercado de trabalho. Se por um lado, a volatilidade na geopolítica global, com impactos ao nível dos preços da energia, inflação e taxas de juro diretoras acrescentam novos desafios às organizações, limitando a criação de emprego, por outro a necessidade de acompanhar a transição digital e a adoção da IA, estão a impulsionar investimentos e aumentar a necessidade de perfis especializados“, afirma o country manager da referida consultora de recursos humanos.

Rui Teixeira sublinha também que estes dados mostram que o mercado de trabalho continua resiliente, com as organizações a recrutar não apenas para crescer, mas para se transformarem e darem resposta às “novas exigências tecnológicas, operacionais e de negócio”.

“Os empregadores continuam a demonstrar confiança no futuro, mas são cada vez mais seletivos nas suas decisões de contratação apostando de forma cada vez mais estratégica nas competências críticas de que necessitam para navegar esta fase de transformação”, frisa ainda o responsável.

Motivos de contratação ou despedimento sob a lupa

A nova análise do ManpowerGroup permite perceber com maior detalhe os motivos por detrás das perspetivas dos empregadores.

No que diz respeito àqueles que preveem contratar mais nos últimos três meses do ano, o crescimento das empresas continua a ser o principal fator impulsionador (42% dos empregadores).

A escassez de talento mantém igualmente um impacto expressivo no mercado de trabalho (27% dos empregadores indicam a necessidade de preencher vagas que permaneceram abertas no trimestre anterior e 18% referem posições não preenchidas há mais tempo).

“Em paralelo, a evolução nas funções e necessidades de competências por parte das organizações continuam a transformar o mercado de trabalho e a motivar as contratações. Assim, um total de 46% das organizações refere esta motivação, distribuída por fatores como novas funções criadas por novas iniciativas de negócio, avanços tecnológicos que criam novas competências e funções, a necessidade de contratar competências atualizadas para manter a competitividade ou ainda a evolução dos serviços prestados”, é sublinhado.

Já no que diz respeito aos empregadores que estão a contar reduzir as suas equipas, o ManpowerGroup destaca, como justificação, o contexto económico e a transformação tecnológica.

“A necessidade de reestruturação ou downsizing é apontada por 25% dos empregadores nacionais, enquanto os desafios económicos são referidos por 23%. A automação surge, igualmente, com um peso crescente, sendo mencionada por 25% dos empregadores como fator de redução de algumas funções”, é realçado na análise apresentada esta semana.

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