Incerteza que “muda coisas da noite para o dia” impede Lagarde de sinalizar passo seguinte

Múltiplas alterações geopolíticas provocam incerteza que não permite ao BCE dar sinais sobre a direção das taxas de juros nas próximas reuniões, explicou Lagarde após a segunda subida do ano.

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  • O Banco Central Europeu decidiu aumentar as taxas de juro em 25 pontos base, mas não antecipou futuras decisões sobre a política monetária.
  • A inflação na Zona Euro foi mantida em 3% para este ano, com previsões de 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028, refletindo incertezas geopolíticas.
  • Christine Lagarde enfatizou a importância de focar nas decisões atuais, destacando a separação entre as ações dos mercados e as do BCE.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

“Podem tentar múltiplos ângulos para identificar qual será o próximo passo, mas não é essa a questão”, disse esta quinta-feira Christine Lagarde aos jornalistas, ansiosos por pistas sobre se a segunda subida dos juros do Banco Central Europeu (BCE) será seguida de uma adicional até ao final do ano. “Não estamos a tomar uma posição sobre a direção a seguir na nossa próxima reunião“, adiantou, desiludindo os membros da audiência.

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A decisão de aumentar o custo do euro em 25 pontos base – “unânime e óbvia” – foi o único foco da reunião, sublinhou a francesa: “Posso garantir-vos que todas as discussões que tivemos hoje se centraram na decisão de hoje, não estamos, nem debatemos de todo, qualquer tipo de caminho futuro, a probabilidade disto ou daquilo, porque levamos muito a sério o quadro que observamos e que queremos respeitar coletivamente”.

Quase em forma de pedido de desculpa, Lagarde explicou a relutância em partilhar a visão sobre as próximas reuniões. “Não nos concentramos na reunião e nos dados para incomodar nem vocês, nem os observadores, nem os analistas, fazemo-lo porque nos encontramos numa situação de incerteza que pode mudar as coisas quase da noite para o dia“, disse, sustentando-se nas múltiplas mudanças geopolíticas que estão a acontecer de forma regular. “Devido a esse nível de incerteza, simplesmente não podemos antecipar qual será exatamente o próximo passo”.

O que o Conselho do BCE irá fazer no futuro será determinado em cada reunião, reiterou. “Mas o que vos posso dizer, e isto consta da declaração de política monetária, é que estamos determinados a cumprir a nossa meta“, vincou, referindo-se ao objetivo de inflação nos 2%.

O staff do BCE manteve inalterada a projeção para a subida dos preços na Zona Euro para este ano, mas reviu em alta as dos dois anos seguintes, prevendo agora que a inflação fique nos 3% este ano, antes de abrandar para 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028. As anteriores projeções, divulgadas em junho, apontavam para uma taxa de inflação, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), de 3% em 2026, 2,3% em 2027 e 2% em 2028.

A Presidente do BCE, Christine Lagarde, explica as decisões de política monetária do Conselho do BCE e responde às perguntas dos jornalistas na conferência de imprensa do Conselho realizada no dia 10 de setembro de 2026, às 14h45 (CET), em Wannsee, Berlim. A presidente está acompanhada em palco por Joachim Nagel, presidente do Deutsche Bundesbank e membro do Conselho do Banco Central Europeu; pelo Vice-Presidente Boris Vujčić; e pelo responsável de Comunicação do BCE, Wolfgang Proissl.© 2026 European Central Bank

 

Subida de yields é global

Questionada sobre as recentes subidas da yields das dívidas soberanas do Zona Euro, Lagarde respondeu que “não se trata de uma questão específica do euro, está a acontecer em todo o mundo e deve-se a múltiplas causas”.

“Está incorporado nas nossas projeções, foi tido em conta e, obviamente, estamos a acompanhar atentamente o que se passa nos mercados, em particular na parte de prazo mais longo da curva”, adiantou.

A presidente do BCE insistiu, no entanto, na separação dos papéis. “Os mercados fazem o que têm de fazer — e nós fazemos o que temos de fazer, que é garantir a estabilidade dos preços, definida, como sabem, como a meta de 2% a médio prazo”, disse, explicando: “quando falo de orientações-quadro, é a isto que me refiro e parto do princípio de que os mercados consideram isso útil para determinar a trajetória que compreendem”.

“Mas eles fazem o seu trabalho, nós fazemos o nosso e posso garantir-vos que todas as discussões que tivemos hoje se centraram na decisão de hoje. Por isso, não estamos — nem, na verdade, debatemos de todo — a discutir qualquer tipo de trajetória futura”; frisou.

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