Exclusivo Tinder processa engenheira portuguesa que criou a Swipeless para jantares entre desconhecidos
App de encontros entrou com uma ação judicial contra a empresa nortenha Swipeless, que dizia que "aprende-se mais sobre alguém num jantar de duas horas do que em dois meses de encontros virtuais".
A aplicação de encontros mais famosa do mundo está de costas voltadas para uma startup portuguesa que lhe quis “fazer swipe” ao negócio. A Tinder entrou com uma ação judicial contra a empresa Swipeless, que organizava jantares entre desconhecidos para promover a criação de relações presenciais em vez de online.
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A empresa norte-americana processou a dona da Swipeless em tribunal por considerar que, de alguma forma, violou a sua propriedade intelectual – recorde-se que o Tinder utiliza o “swipe right” e “swipe left” (deslizar para a direita e esquerda) para escolher quem pretende fazer match (correspondência) – e, mais recentemente, interpôs um recurso, no valor de 30 mil euros, para insistir nesse argumento.
A visada na ação no Juízo da Propriedade Intelectual de Lisboa, que integra o Tribunal da Propriedade Intelectual, foi a empreendedora Diana Taborda, que é assistente do Chief Technology Officer do unicórnio Sword Health. Contactada pelo ECO, a fundadora da Swipeless explicou que, na próxima semana irá avaliar o caso com a equipa de advogados, e não quis prestar mais comentários.
Certo é que a Swipeless, ao contrário do Tinder, prioriza o contacto presencial no primeiro momento. Em Portugal, foram várias as cidades – como Porto, Lisboa, Braga, Coimbra, Aveiro, Viseu e Setúbal – que receberam encontros promovidos por esta empresa, nos últimos anos, às quintas-feiras, sextas-feiras e/ou sábados pelas 20 horas. O cliente comprava um bilhete por 10,99 euros e tinha direito a um “match do grupo” com jogos entre pessoas da sua faixa etária e com interesses comuns, mas tinha de pagar o jantar à parte.
“Aprende-se mais num jantar de duas horas do que em dois meses de encontros virtuais”
“Começámos a Swipeless com uma ideia teimosa: aprende-se mais sobre alguém num jantar de duas horas do que em dois meses de encontros virtuais. A Swipeless afasta-se dos ecrãs para oferecer experiências gastronómicas focadas em conversas genuínas. Combinando delícias culinárias com jogos sociais envolventes, estamos a redefinir a forma como as ligações são feitas. Sem aplicações, sem gostos e deslizes — apenas interações reais em ambientes memoráveis”, sintetiza, na rede social Linkedin.
A plataforma lusa era semelhante à concorrente francesa Timeleft, cujo modelo de negócio é o mesmo: organizar eventos para estranhos se conhecerem, presencialmente, e tornarem-se amigos ou algo mais.
Fundada em 2023 e com sede em Pedroso, no concelho de Vila Nova de Gaia, a Swipeless era detida em partes iguais por Diana Taborda – mestre em Engenharia e Gestão Industrial pela FEUP – e Sandra de Neri Esteves (40%) e também Nuno Tavares Macedo, cuja participação é de 20%. No ano passado, a empresa teve uma faturação de 1.605 euros e reportou prejuízos na ordem dos 345 euros, de acordo com os dados depositados no registo comercial.
O website e a rede social Instagram da Swipeless ainda se encontravam ativos na semana passada, com uma mensagem que recordava a fundação da empresa e indicava uma despedida, mas após o ECO contactar a liderança, as duas páginas online foram eliminadas, tendo ficado apenas disponíveis as contas de Facebook e de Linkedin.
Na rede social Reddit, as opiniões sobre a Swipeless dividiam-se entre críticas e elogios. Entre as mais-valias assinaladas estava o facto de não precisar de subscrição, ao contrário da rival Timeleft. “Filtra bem os interesses e vai sem grandes expectativas. Posso dizer que o melhor jantar que tive foi logo o primeiro, o pior o segundo e o terceiro mediano, só depois de mais dois é que voltou a ser fixe”, aconselhava um dos internautas a outro interessado em participar nos eventos.
O ECO contactou também o Tinder, mas até à publicação deste artigo não obteve comentários.
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