Países do Golfo devem reunir-se com Irão sobre acordo de navegação

  • Lusa
  • 11 Setembro 2026

Para Irão e Omã "trata-se de fazer" com que o Conselho de Cooperação do Golfo adira ao acordo, usando-o como meio para levar os Estados Unidos a suspender o bloqueio aos portos iranianos.

Chefes da diplomacia dos países do Conselho de Cooperação do Golfo tencionam reunir-se com o homólogo iraniano na segunda-feira, em Omã, para procurarem um acordo sobre o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, noticiou esta sexta-feira o Financial Times.

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Segundo a notícia, o Irão e Omã estão a ultimar um pacto provisório que prevê o estabelecimento de um corredor destinado ao trânsito de navios comerciais através do estreito, pelo que as embarcações entrariam por águas iranianas e sairiam sobretudo pela zona do sultanato.

Segundo a fonte citada pelo jornal britânico, para o Irão e o Omã “trata-se de fazer” com que o Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) adira ao acordo, numa tentativa de o utilizar como um meio para levar os Estados Unidos a suspender o bloqueio aos portos iranianos.

Por outro lado, países do Conselho como a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait e Bahrein procuram garantir que qualquer pacto alcançado seja temporário, mas que venha a permitir a entrada e saída de navios, enquanto se negoceia o “futuro estatuto” do estreito.

O Financial Times salienta que os seis países do CCG acreditam que o pacto temporário promovido por Teerão e Mascate pode servir para reduzir as hostilidades entre os Estados Unidos e o Irão, abrindo caminho à reabertura total de Ormuz.

A reunião, mediada por Omã, seria o primeiro encontro entre os principais responsáveis pelos Negócios Estrangeiros dos países do Golfo e um alto representante iraniano desde que os Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra contra a República Islâmica, a 28 de fevereiro, a que Teerão respondeu com o bloqueio do estreito, por onde antes passava um quinto da produção mundial de petróleo.

O jornal sublinha que a participação das potências do CCG indiciaria o desejo de facilitar, por um lado, um eventual acordo entre Teerão e Washington para pôr fim ao conflito e, por outro, reduzir as tensões com o Irão, depois de Teerão ter atacado territórios em represália aos bombardeamentos norte-americanos e israelitas.

O jornal recordou que a última vez que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, participou numa reunião do CCG foi em outubro de 2024, em Doha, no Qatar.

O sultanato de Omã, cujas águas territoriais abrangem o estreito de Ormuz e que tem procurado manter uma posição neutra durante a guerra, negoceia há várias semanas com o Irão o estabelecimento de um possível corredor de passagem que permita aos navios transitarem sem o pagamento de taxas.

De acordo com o Financial Times, a urgência em chegar a um acordo aumentou depois de as forças Huthis do Iémen, aliados de Teerão, terem consolidado presença perto do estreito de Bab el-Mandeb – outra rota comercial estratégica -, o que fez com que o preço do petróleo ultrapassasse os 107 dólares por barril.

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