Dona da bolsa de Lisboa aberta a “casamento” com Deutsche Börse
Stéphane Boujnah, líder do grupo que gere oito bolsas europeias, defende que fusão com principal concorrente permitiria criar grupo "à escala planetária" e tornar mercados europeus mais competitivos.
Depois de ter garantido o controlo da bolsa grega, no final do ano passado, a dona da bolsa de Lisboa já está a olhar para o próximo negócio. O CEO da Euronext, que gere oito bolsas europeias, admitiu ao Financial Times que o grupo está aberto a uma fusão com a sua grande rival Deutsche Börse, numa operação há muito discutida que poderia criar um mercado europeu à “escala planetária“, segundo Stéphane Boujnah.
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A união dos dois grupos poderia reforçar a liquidez e tornar os mercados europeus mais competitivos, num momento que os oficiais europeus procuram avançar com a reforma dos mercados de capitais da região.
Apesar de não afastar a possibilidade de uma fusão integral entre as duas empresas, o líder da dona da bolsa lisboeta alerta que uma operação deste género teria de ultrapassar importantes obstáculos regulatórios.

“Uma operação que faria sentido seria a fusão das atividades de bolsas“, afirmou Boujnah numa entrevista, acrescentando que, atualmente, não existem conversações entre os dois grupos.
A Euronext, além de gerir a bolsa de Lisboa, opera ainda as bolsas de Amesterdão, Bruxelas, Dublin, Milão, Oslo, Paris e Atenas, gerindo aproximadamente 25% da atividade de negociação de ações na Europa, com mais de 1.800 empresas cotadas e uma capitalização bolsista de 16 mil milhões de euros. Já a Deutsche Börse gere a bolsa de Frankfurt, bem como o Eurex, uma das maiores plataformas de negociação de derivados do mundo.
“O mercado acionista alemão é pouco profundo, enquanto o mercado acionista da Euronext é profundo”, afirmou Boujnah. “Por isso, haverá muitas sinergias em aproximar os mercados acionistas, de forma a podermos ter um único mercado acionista que responda às necessidades dos três maiores PIB da Europa“, acrescentou, referindo-se à Alemanha, França e Itália.
A ideia de juntar os dois grupos de bolsas é discutida há décadas. A Deutsche Börse retirou uma oferta pela Euronext em 2006 e uma tentativa de fusão foi bloqueada pela Comissão Europeia por razões de concorrência em 2012. Em 2023, os responsáveis máximos das duas empresas discutiram a criação de uma joint venture para as cotadas europeias, numa tentativa de competir de forma mais agressiva com os Estados Unidos.
Há cerca de um ano, o tema voltou a ser discutido, após o chanceler Friedrich Merz ter defendido a criação de uma grande bolsa de valores europeia que possa rivalizar com Wall Street, num apelo que encontrou eco imediato junto dos principais operadores de mercado do continente.
“Quanto à grande operação, as questões de concorrência são bem conhecidas […], mas, em teoria, seria interessante para a Europa considerar a criação de uma infraestrutura de mercado pan-europeia à escala planetária“, defendeu Boujnah.
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