Doze países da UE querem reforçar presença e segurança no Ártico

O grupo pede mais investimento europeu no Ártico, enquanto Bruxelas reforça a cooperação com a Gronelândia e Trump mantém a pressão para colocar a ilha sob controlo dos EUA.

Doze países da União Europeia (UE) querem que Bruxelas assuma um papel “mais estratégico e proativo” no Ártico e aumente o investimento na região no próximo orçamento plurianual, que está a ganhar um novo peso estratégico de segurança europeia perante a vontade de Donald Trump adquirir a Gronelândia e as crescentes ameaças híbridas russas.

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O apelo, apresentado esta segunda-feira numa cimeira em Rovaniemi, na Finlândia, surge poucas semanas antes de a Comissão Europeia apresentar a nova Estratégia para o Ártico, prevista para outubro, e numa altura em que os Estados-membros negoceiam o próximo orçamento plurianual da UE.

Finlândia, Dinamarca, Estónia, França, Grécia, Alemanha, Letónia, Lituânia, Países Baixos, Polónia, Roménia e Suécia defendem que a nova realidade de segurança exige maior presença europeia no extremo norte.

A mensagem política do bloco europeu torna-se cada vez mais clara, de que o Ártico e as regiões circundantes deixaram de ser apenas uma questão climática, económica ou científica e passou a ser também uma questão de segurança e defesa.

Gronelândia no centro da disputa

A mudança de abordagem europeia acontece numa altura em que a Gronelândia se tornou um dos principais pontos de tensão geopolítica no Ártico.

Na semana passada, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, esteve na ilha e anunciou um investimento adicional de 200 milhões de euros para 2026 e 2027, destinado a projetos de conectividade, energias verdes e matérias-primas críticas.

Bruxelas assinou ainda com a Gronelândia e a Dinamarca uma declaração conjunta para reforçar a cooperação e reconheceu “a crescente importância estratégica” do território autónomo dinamarquês.

Durante a visita, Von der Leyen reiterou que o futuro da ilha “cabe ao povo da Gronelândia e da Dinamarca decidir. A mais ninguém”. A Comissão Europeia reafirmou ainda a solidariedade com a Dinamarca e invocou a soberania e a integridade territorial como princípios fundamentais do direito internacional.

Durante a visita de Von der Leyen à Gronelânida, Trump publicou na sua rede social uma fotografia que coloca o território da ilha pintada com as cores da bandeira dos Estados Unidos, onde também estão anexados os territórios do Canadá, do México e das Caraíbas.

Não é a primeira vez que Donald Trump tem referido a intenção de colocar a Gronelândia sob controlo norte-americano, alegando razões de segurança nacional, admitindo até a compra o território. A posição da atual Administração norte-americana tem, aliás, sido um foco de tensão com a Europa e os países aliados da NATO, já que a Gronelândia faz parte da Dinamarca, país membro da Aliança Atlântica.

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