Governos querem sucessão de Lagarde no BCE negociada até ao final do ano
Governos da Zona Euro querem um plano para sucessão de Lagarde, do economista-chefe Philip Lane e Isabel Schnabel. Rumores voltam a reforçar hipótese de saída antes do termo do mandato.
Dois meses depois de a presidente do Banco Central Europeua (BCE), Christine Lagarde, ter afastado a ideia de abandonar o banco central antes do tempo, voltam as especulações em torno da sucessão na liderança da autoridade monetária europeia. Segundo o Financial Times, os governos da Zona Euro querem alcançar um acordo, até ao final do ano, para a sucessão dos três principais cargos na entidade.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
A remodelação da liderança do BCE, que envolve a substituição da presidente Lagarde, o economista-chefe Philip Lane e da membro da Comissão Executiva Isabel Schnabel, cujos mandatos terminam todos em 2027, será necessária porque, segundo o jornal, Lagarde poderá anunciar ainda este ano que deixará a instituição no início de 2027, antes das próximas presidenciais francesas.
“O objetivo é ter um grande pacote acordado até ao final do ano”, disse ao Financial Times um diplomata da União Europeia. Outro diplomata terá confirmado “consultas estratégicas”. “Todos estão conscientes de que há muitos cargos económicos importantes sobre os quais temos de tomar decisões”, acrescentou.
Esta não é a primeira vez que surgem especulações sobre uma saída antecipada de Lagarde, a qual poderia ser justificada por um eventual regresso à política francesa ou por uma passagem para outras funções internacionais. Perante estas notícias, a resposta da presidente do BCE foi esclarecedora: “não se veem livres de mim antes de 2027”, em alusão ao termo do seu mandato, marcado para outubro.
A iminente remodelação surge num período de volatilidade nos mercados globais de obrigações, numa altura em que mais de seis meses de guerra no Médio Oriente estão a agravar os custos da dívida pública europeia e a intensificar as preocupações com as pressões orçamentais em toda a União Europeia.
Além do contexto de grande instabilidade internacional, as eleições de abril em França também pesam nas decisões dos líderes europeus, com a líder da extrema-direita, Marine Le Pen, a surgir como favorita para suceder ao Presidente Emmanuel Macron.
“A decisão sobre a presidência do BCE é uma decisão que faz parte de um pacote de distribuição de cargos», disse ao FT um alto responsável envolvido no processo, acrescentando tratar-se da “mais importante decisão em matéria de nomeações” na Europa até 2029, altura em que termina o mandato da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
A nova liderança do BCE terá de ser composta por “pessoas fortes, com perfis diferentes”, capazes de “agir eficazmente nos próximos anos”, acrescentou o mesmo responsável.
Segundo o FT, os dois principais candidatos a suceder a Lagarde são Pablo Hernández de Cos, que lidera o Banco de Pagamentos Internacionais, e o antigo presidente do banco central neerlandês Klaas Knot.
Já o presidente do Bundesbank, Joachim Nagel, que também terá manifestado, à porta fechada, interesse no cargo, é visto como uma escolha pouco provável, uma vez que seria inédito dois cidadãos alemães liderarem simultaneamente duas das mais importantes instituições da União Europeia — o BCE e a Comissão Europeia.
No que diz respeito ao cargo de economista-chefe, o economista de Princeton Markus Brunnermeier, a professora de Stanford Monika Piazzesi e Tobias Adrian, antigo economista sénior do Fundo Monetário Internacional (FMI), estão entre os nomes que estão a ser discutidos em Berlim para o cargo.
Já Paris está a discutir duas candidatas: a vice-presidente do Banco de França, Agnès Bénassy-Quéré, e a antiga economista-chefe da OCDE Laurence Boone, atualmente responsável pela banca empresarial e de investimento do Santander em França.
Mas uma combinação de um economista-chefe francês com um presidente espanhol do BCE seria “difícil de imaginar” para a Alemanha, segundo três pessoas conhecedoras da posição do Governo alemão. Por sua vez, Paris deverá provavelmente bloquear uma solução que coloque um neerlandês na presidência e um alemão no cargo de economista-chefe.
Perante este impasse, há a possibilidade de surgir, à última hora, um terceiro candidato-surpresa, à semelhança do que aconteceu em 2019, quando Macron apresentou inesperadamente Lagarde como principal candidata ao cargo de presidente do BCE. O antigo governador do Banco de França François Villeroy de Galhau poderá surgir como um candidato inesperado à presidência do BCE.
O BCE já subiu, este ano, duas vezes as taxas de juro, para conter a escalada da inflação. Numa decisão amplamente esperada, o banco central subiu, na semana passada, a taxa de Facilidade Permanente de Depósito para 2,50% e as taxas de refinanciamento e de cedência de liquidez para 2,65% e 2,90%, respetivamente.
A entidade manteve inalterada a projeção para a subida dos preços na Zona Euro para este ano, mas reviu em alta as dos dois anos seguintes, prevendo agora que a inflação fique nos 3% este ano, antes de abrandar para 2,5% em 2027 e 2,1% em 2028.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Governos querem sucessão de Lagarde no BCE negociada até ao final do ano
{{ noCommentsLabel }}