Guerra e energia entram na agenda da sustentabilidade europeia
As tensões geopolíticas e a crise energética juntaram-se ao clima na lista de prioridades que passou a mover a agenda de sustentabilidade das cotadas europeias.
O ESG Trends Report 2026, divulgado pela Euronext esta segunda-feira, mostra que as empresas cotadas nos seus mercados reduziram em 7% as emissões de gases com efeito de estufa nos últimos três anos, com o setor das utilities, dos bens de consumo básico e da energia a liderarem essa descida.
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O levantamento, que cobre mais de 1.680 emissores com uma capitalização bolsista agregada de 7,2 biliões de euros, indica ainda que as mulheres já ocupam 35,4% dos assentos nos conselhos de administração, um acréscimo de 2,2 pontos percentuais desde 2023, e que mais de 250 empresas (14% do total de cotadas na Euronext) aderiram à iniciativa Science Based Targets, embora 7% tenham abandonado esse compromisso em 2025 face ao ano anterior.
O relatório foi apresentado aos jornalistas no arranque da quarta edição da Sustainability Week, que decorrer até 18 de setembro sob o tema “Construir resiliência num mundo em mudança” e que agrega 37 eventos distribuídos por 11 países — entre eles Portugal –, reunindo mais de 3.200 participantes, incluindo reguladores, investidores e emissores cotados.
O tema escolhido para esta edição traduz uma alteração de perspetiva na forma como a Euronext e os mercados financeiros europeus discutem sustentabilidade, com as questões de segurança energética e autonomia estratégica a juntarem-se agora às prioridades ambientais, sociais e de governação.
Stéphane Boujnah, presidente executivo da Euronext, associou essa mudança ao contexto geopolítico atual: “Atualmente, as empresas e os investidores enfrentam as alterações climáticas, as questões energéticas, de segurança e as incertezas geopolíticas que estão a remodelar o ambiente em que as empresas operam. Neste contexto, a sustentabilidade é cada vez mais reconhecida não apenas como uma agenda ambiental ou regulamentar, mas como uma questão de resiliência e autonomia estratégica“, refere o líder da Euronext em comunicado.
Entre as novidades da semana está a expansão da Infrastructure, Energy and Defence Investor Conference, que passou de um evento italiano para uma plataforma pan-europeia, reunindo 120 investidores institucionais e cerca de 40 empresas cotadas de Itália, Grécia, Países Baixos, Noruega e Portugal, num total de mil reuniões bilaterais.
A semana inclui ainda iniciativas dirigidas à literacia financeira e à participação de investidores particulares, um dos eixos que a Euronext associa à resiliência dos mercados de capitais europeus; e ainda o regresso do Euronext Trading Game, promovido pela Euronext Foundation, a 5 de outubro, que passa a incluir a Grécia, depois de ter reunido mais de 6.100 estudantes inscritos na primeira edição, com o apoio de parceiros como a Better Finance e o CFA Brussels.
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