Hiscox transfere trabalhadores mas mantém aposta em Portugal e operações em Lisboa
Hiscox garante que mantém a aposta em Portugal apesar da transferência de algumas atividades administrativas e colaboradores para a Genpact, uma prestadora de serviços.
A seguradora Hiscox assegurou que a transferência de atividades e colaboradores para a Genpact se enquadra numa “transformação planeada do modelo operacional” focada na “eficiência” e “uma melhor alocação de recursos”, explicou a empresa a ECOseguros no seguimento dos protestos e da greve promovidos pelos trabalhadores em Lisboa, em julho.
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Segundo a empresa, a parceria com a multinacional de serviços tecnológicos abrange apenas “determinadas atividades administrativas nas áreas de Policy Administration, Claims Administration e Credit Control“. A seguradora sublinhou que esta reorganização “não altera o compromisso da Hiscox com Portugal” nem a sua “presença em Lisboa”, garantindo a continuidade das operações no mercado nacional.
A posição surge após as críticas do Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins (SINAPSA), que convocou uma greve e uma concentração em frente às instalações da seguradora em julho, alegando a perda de direitos laborais para cerca de 90 trabalhadores em Portugal. O sindicato e os delegados sindicais contestaram na altura a mudança para uma empresa de outsourcing, apontando o fim da salvaguarda de benefícios como o seguro de saúde familiar gratuito, os dias de baixa pagos pela empresa e as garantias do contrato coletivo de trabalho da atividade seguradora.
Questionada sobre possíveis reduções de pessoal e sobre a estabilidade da operação no país, a Hiscox reiterou que a transferência para a Genpact foi a “única alteração anunciada” e que o objetivo principal passa por criar uma estrutura “mais eficiente, capaz de continuar a crescer e de proporcionar a melhor experiência a clientes e parceiros”. A empresa enfatizou ainda que “muitos dos colaboradores envolvidos continuarão a prestar apoio à Hiscox através deste modelo de parceria” e que não haverá alterações nos contactos, processos ou canais de serviço para clientes e mediadores.
Enquanto isso, Filipe Homem, que exercia o cargo de Interim Managing Director desde janeiro deste ano, anunciou a sua saída da Hiscox ao fim de quase 15 anos na empresa. Numa publicação na rede LinkedIn, o responsável assinalou o fecho de um “capítulo importante”, admitindo que “pode não estar de acordo com todas as decisões sobre o que vem depois”, mas que “respeita a necessidade de as organizações evoluírem”. A esta saída junta-se a de Nerea de la Fuente, diretora de Subscrição em Espanha, que deixou igualmente a Hiscox após mais de 14 anos na companhia.
Quanto à estrutura em Portugal, a seguradora confirmou que a operação local prossegue sob a liderança de Emérico Gonçalves, articulada com a direção-geral de Javier González para a região Ibérica. Para 2026, a empresa mantém perspetivas de “crescimento sustentável e rentável”, reafirmando a confiança no mercado português através da aposta em produtos especializados, tecnologia e proximidade aos corretores.
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