Juros da dívida quebram recordes de duas décadas nos EUA e na Alemanha

As obrigações do Tesouro a 10 anos dos EUA tocaram nos 5% pela primeira vez desde 2007, enquanto as taxas das Bunds alemãs a 10 anos atingiram o valor mais alto desde 2009, num duplo sinal de alerta.

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  • A yield das obrigações a 10 anos dos EUA e da Alemanha batem recordes de 2007 e 2009, respetivamente.
  • A subida das taxas está ligada ao aumento do preço do petróleo, que se aproxima dos 110 dólares por barril, elevando as preocupações com a inflação.
  • A escalada das taxas de juro pode dificultar particularmente o financiamento em economias mais frágeis, impactando negativamente o refinanciamento de governo, empresas e famílias.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Os mercados de dívida entraram esta segunda-feira numa zona que não pisavam há quase duas décadas. Os sinais de alarme chegam dos EUA, com os títulos a 10 anos a chegarem a negociar com uma yield acima dos 5%, um patamar que só tinha sido tocado uma vez desde junho 2007, enquanto na Alemanha o retorno da dívida a 10 anos, referência para toda a Zona Euro, chegou a negociar no valor mais alto desde 2009.

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O movimento, impulsionado por uma nova subida do petróleo nos mercados internacionais, ameaça encarecer o crédito em todo o mundo, dos empréstimos bancários às emissões de dívida de empresas e Estados, num momento em que os principais bancos centrais preparam-se para encarecer o preço do dinheiro.

  • A yield das obrigações do Tesouro dos EUA a 10 anos chegou a marcar 5,012% esta tarde, segundo dados da Refinitiv, recuando depois para para valores próximos dos 4,9% à medida que investidores aproveitaram os juros mais altos para comprar dívida – atualmente, as Treasuries a 10 anos negoceiam com uma taxa média ponderada de 4,95%.
  • Na Alemanha, a yield das Bunds a 10 anos fixou-se em 3,554%, depois de uma subida acumulada superior a 16 pontos base ao longo da semana anterior, a maior variação semanal desde o início do conflito no Irão.

A escalada dos juros está ligada à subida do preço do petróleo, depois de ataques a infraestruturas na Arábia Saudita terem forçado o encerramento de um oleoduto e reacendido receios sobre o abastecimento global, em função dos efeitos de contágio que daí geram na inflação.

Nota: Se está a aceder através das apps, carregue aqui para abrir o gráfico.

O Brent aproximou-se esta segunda-feira dos 110 dólares por barril, alimentando expectativas de que a inflação, já acima da meta dos bancos centrais de 2% nos EUA e na Zona Euro, se mantenha elevada durante mais tempo.

Nos mercados de futuros, a probabilidade de a Reserva Federal norte-americana (Fed) subir as taxas de juro na reunião desta semana chegou aos 90%, depois de o Banco Central Europeu já ter aumentado os seus juros em 25 pontos base na semana passada e deixado em aberto novos apertos.

A isto soma-se o volume crescente de emissões de dívida, tanto pública como empresarial, com empresas tecnológicas a financiar investimentos em inteligência artificial e data centers, e as dúvidas sobre a trajetória orçamental norte-americana, com défices que obrigam o Tesouro dos EUA a oferecer prémios mais altos para atrair compradores.

A subida dos juros nos títulos de referência dos EUA e da Alemanha tem repercussões que ultrapassam as duas economias. As Treasuries funcionam como ativo de referência para o sistema financeiro global, influenciando o preço de hipotecas, dívida empresarial e obrigações de mercados emergentes em várias moedas.

Uma subida sustentada destas taxas tende a atrair capital para ativos denominados em dólares, reforçando a moeda norte-americana e apertando as condições de financiamento em economias mais frágeis, tornando mais difícil o refinanciamento para governos endividados e empresas com pior notação de crédito.

Bancos, seguradoras e fundos de pensões que detêm dívida de longo prazo também podem registar perdas contabilísticas caso sejam forçados a vender esses títulos antes do vencimento.

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